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sábado, 9 maio, 2026

Coronavírus: Especialistas descartam desabastecimento, mas defende consumo consciente

Aumenta a preocupação com o estoque de alimentos nos supermercados, assim como imagens de prateleiras vazias em alguns países e até pelo Brasil.

Mas com a pandemia de coronavírus existe risco de faltar comida ou algum mantimento? E ainda: a indústria está preparada para um momento no consumo?

Com mais gente em casa, a quantidade de comida comprada semanalmente deve aumentar, mas especialistas alertam que não há necessidade de estocar alimentos. Pelo contrário, a prática desregula todo o sistema de abastecimento.

A seguir, algumas perguntas respondidas por representante do Ministério da Agricultura, associações de produtores e distribuidores de alimentos.

Por que alguns produtos já faltam nos supermercados e farmácias?

Há casos de supermercados que estão registrando uma alta saída de produtos, como álcool e papel higiênico, e eventualmente o produto acaba na prateleira. A situação é pontual e não configura desabastecimento, uma vez que a matéria-prima ainda pode ser encontrada e a reposição é feita normalmente.

A Associação Brasileira de Supermercados (Abras), em nota, afirma que monitora as lojas do país e, no momento, não foi identificado nenhum problema de desabastecimento, mas, de reposição, devido ao maior número de clientes em algumas lojas.

Pode faltar comida?

Sobre os alimentos, as entidades da indústria garantem que a situação brasileira é muito confortável em relação a outros países. O comportamento dos consumidores é o que pode causar a falta pontual de algum produto em um mercado.

Mesmo com um aumento da demanda, não há motivo para preocupação, já que o abastecimento de produtos alimentícios está sendo feito normalmente e o país tem margem de sobra ainda que o consumo aumente.

Só o que pode causar a falta de algum produto alimentício em um mercado é se os consumidores estocarem e comprarem em muita quantidade naquele local. Mesmo assim, a indústria tem capacidade para enviar mais produtos.

O que é desabastecimento?

É quando há uma falta generalizada e duradoura de um produto, segundo o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento.

Só a falta de um produto não caracteriza o desabastecimento, mas, provavelmente, um problema de fluxo da mercadoria, uma falta pontual de abastecimento, que pode ser superada por rápidas iniciativas do setor público e privado.

O especialista fala ainda que o baixo crescimento econômico do Brasil, neste caso, aponta uma situação positiva. Como o país não estava crescendo era de se esperar que as empresas tenham alguma capacidade produtiva ociosa.

Há desabastecimento, agora, no Brasil?

Não, mas um produto que pode ter o fornecimento afetado é o álcool gel, que sumiu das prateleiras depois da corrida da população.

A demanda pela substância que deixa o álcool com a consistência de gel, o carbopol, aumentou no mundo todo, afirma a Associação Brasileira da Indústria de Higiene Pessoal, Perfumaria e Cosméticos (ABIHPEC).

As empresas de médio e pequeno porte, que são as principais responsáveis pelo fornecimento do produto, estão se readequando diante da crise para atender a população, inclusive buscando novas soluções de matéria-prima.

Segundo dados da associação, a estimativa de faturamento de vendas ao consumidor do álcool em gel em 2020 poderá superar em até 10 vezes o registrado em 2019, saindo de um faturamento de R$ 100 milhões para R$ 1 bilhão.

Existe risco de desabastecimento?

A Associação Brasileira da Indústria de Alimentos (Abia) alerta que de nenhuma forma a livre circulação de matéria-prima e produtos finais pode ser restringida, porque isso pode afetar o abastecimento. Do contrário, segue normalmente.

Por outro lado, há uma incerteza quanto às consequências do vírus na sociedade, a possível falta está também relacionada ao comportamento de consumo da população.

Feijão com arroz estão a salvos?

Arroz, feijão, salada e carnes, o “prato feito” comum do dia-a-dia dos brasileiros está garantido, segundo a Abia.

Isso porque a agropecuária precisa ser planejada, ou seja, a produção de alimentos é feita muito antes de chegar à mesa do brasileiro e neste momento, os produtores rurais estão na colheita da safra brasileira, que deverá ser recorde.

Em nota, o Ministério da Agricultura garante que se eventuais problemas forem detectados atuará, mediante seu planejamento, para saná-los. A população deve se manter tranquila em relação à oferta de alimentos, sempre levando em conta o consumo racional, consciente e solidário. O Brasil é um grande produtor de alimentos.

Devo estocar alimentos, bebidas e produtos de primeira necessidade?

Com os pais fazendo home office e as crianças liberadas da escola, é natural que o consumo de alimentos médio de uma família aumente.

Você vai comprar mais naturalmente porque as refeições serão preparadas em domicílio. O indicado é comprar o necessário para prover alimentação da família toda em casa nas três principais refeições: café da manhã, almoço e jantar”, continua.

O que não precisa acontecer é a correria para estocar alimentos, alertam os especialistas.

As pessoas podem, ainda, contribuir evitando desespero e a corrida desenfreada aos supermercados, além de não fazer estoque de mercadorias nas residências.

O recomendado é que as pessoas façam as compras que estão acostumadas, para a semana ou para o mês. Não há motivo para mudar.

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