Foi detectado o primeiro buraco na camada de ozônio acima do Polo Norte, segundo Markus Rex, diretor do departamento de Física Atmosférica no Instituto alemão Alfred Wegner, afirmou nesta quarta-feira (25).
“Nas áreas de espessura máxima da camada de ozônio, a perda é de cerca de 90%”, disse Rex. Isso equivale a uma área três vezes o tamanho da Groenlândia. O diretor ainda afirma que o buraco afeta uma área total de 20 mil quilômetros quadrados.
O pesquisador explicou que o afinamento da camada de ozônio na região se deve a um vórtice polar especialmente forte no inverno deste ano no Hemisfério Norte, combinado a baixas temperaturas na estratosfera, onde fica a camada de ozônio.
O vórtice polar trata-se de um ciclone persistente de ventos frios ao redor dos polos de um planeta. Esses ventos costumam ser mais fortes no inverno e diminuem ou podem até desaparecer no verão.
“No momento, essas massas de ar ainda estão concentradas por cima do Ártico central – por isso, as pessoas na Europa não precisam se preocupar em se queimar de sol mais rapidamente do que de costume”, afirmou o alemão.
O afinamento da camada de ozônio sobre o Ártico já chegou a ser observado em 2011 e foi detalhado num artigo publicado na renomada revista científica Nature.
Segundo cientistas, o buraco sobre a Antártida é um fenômeno sazonal. “A remoção praticamente completa de ozônio costuma resultar numa fissura todo ano, enquanto a perda de ozônio no Ártico é altamente variável e, até agora, foi mais limitada”, afirmam.
Porque isso acontece?
A redução do ozônio na atmosfera que costuma ocorrer na Antártida acontece porque as temperaturas na região são as mais baixas em todo o planeta. No Ártico, as temperaturas não costumam ser tão frias. No inverno polar, surgem concentrações de cloro em nuvens nas camadas mais estratosféricas (altas) da atmosfera. O cloro acelera a destruição do ozônio.
Por esse motivo, nos anos 1980, a produção dos chamados CFCs, ou clorofluorocarbonetos, foi proibida em vários países porque os compostos usados como aerossóis e gases para refrigeração contribuíam para diminuir a camada de ozônio.
Em 2019, o buraco na camada de ozônio registrou sua menor extensão em aproximadamente 30 anos. O ozônio funciona como um tipo de filtro solar que protege a Terra da radiação ultravioleta. Em seres humanos, os raios podem causar doenças como câncer de pele.





