A história dos Beatles, cujo rompimento oficial completa 50 anos neste mês, é marcada por uma trajetória que ultrapassa em muito o legado musical de um conjunto de rock. Sua influência cultural ainda é tão grande que, mesmo meio século depois do fim, continua viva por meio de livros, documentários, notícias e, claro, pelo amor incondicional de milhões de fãs em todo o mundo.
A presença dos Beatles pode ser medida no interesse que qualquer notícia sobre eles desperta. O surgimento de uma foto inédita banal do início da carreira vira pauta na imprensa inglesa – grandes jornais, como o The Guardian e o Independent, mantêm seções fixas sobre o grupo em seus sites.
Áudio descoberto recentemente por Mark Lewisohn, historiador especializado em Beatles, provocou releitura sobre o fim da banda. Gravado em uma reunião de John, Paul e George – Ringo estava no hospital – o áudio revela que eles planejavam gravar mais um álbum.
Os diálogos mostram, inclusive, que o repertório seria dividido entre os três músicos presentes, quatro músicas de cada, mais duas para Ringo. Apesar de George ter composto clássicos como Taxman e While My Guitar Gently Weeps, Paul explica que ele poderia começar a contribuir igualmente porque “suas músicas antes do ‘Abbey Road’ não eram tão boas”.
Quem acessa o site Beatlesnews.com constata a quantidade de notícias novas. Há novidades todos os dias. Nada no entanto chama mais a atenção dos fãs do que o documentário Get Back, de Peter Jackson, diretor de O Senhor dos Anéis. Composto com material inédito das gravações de Let it Be, será lançado pela Disney em 4 de setembro.
As sessões em estúdio já haviam rendido um filme do diretor Michael Lindsay-Hogg em 1970, mas a nova versão de Jackson, que pesquisou e reeditou as 55 horas de material bruto, promete abordagem bem diferente. Let it Be foi o último álbum a ser lançado – Abbey Road foi gravado depois, mas saiu antes porque o documentário homônimo ainda não ficara pronto.
A banda já estava se desintegrando e Paul havia assumido o controle. Segundo Lennon, “foi um dos motivos pelos quais os Beatles acabaram”, A nova versão de Jackson privilegia a parte criativa e musical das gravações, além da amizade e os momentos de descontração entre os músicos. Traz ainda as imagens restauradas dos 42 minutos do último show no teto da gravadora Apple, em janeiro de 1969.
A resposta para o fascínio que os Beatles ainda exercem tem motivos musicais e culturais, mas permite também uma leitura mais subjetiva. Além do talento e do carisma, cada um revelou-se um tipo: John era a rebeldia, Paul, o amor, George, a espiritualidade e Ringo, a graça. Fizeram tanto sucesso no mundo que receberam condecorações da rainha Elizabeth II. Tornaram-se cavaleiros.
Dos quatro Beatles, dois estão vivos – Paul McCartney e Ringo Starr. George Harrison morreu doente, e John Lennon foi assassinado na porta do prédio onde morava, nos Estados Unidos.





