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domingo, 1 novembro, 2026

Editorial: Sai da frente, quero passar

A frase poderia servir de lema para os ônibus urbanos de Jundiaí. Nos últimos tempos, aumentou o número de acidentes envolvendo ônibus, alguns com vítimas, outros inconsequentes. Na falta de carros para bater, batem em outro ônibus. Foi o que aconteceu na semana passada – dois ônibus bateram dentro do terminal central.
Existem porquês para tantos acidentes. Um deles – a mão de obra não é aquelas coisas há muito tempo. Por sinal, houve época em que uma empresa trazia motoristas quase chucros de Mato Grosso, que não conheciam a cidade e tinham hábitos, digamos, pouco sociais. Então a questão da mão de obra é um fator de risco.
O comportamento de muitos (observe-se: muitos, não alguns) motoristas de ônibus no trânsito é algo assustador. Abusam da velocidade, fazem manobras bruscas, e sempre que podem apertam a vida dos particulares. Parecem sentir prazer em pressionar alguém, com um carro pequeno – usam farol e o freio a ar para assustar.
Andam feito loucos, para depois passarem tempo conversando nos terminais. Não só os urbanos. Parte dos fretados é pior ainda. Sinal que alguma coisa está errada. E bem errada. Formação? Não é o caso. Todos saem das auto escolas sabendo tudo o que é preciso – as leis, as placas, o conduzir. Passam por exames teóricos e práticos.
Mas sabido é – e isso vale para todos, profissionais e amadores – que mal terminado o aprendizado afloram os instintos. Apressados, estressados, impacientes, ultrapassam onde não pode, andam acima da velocidade permitida, avançam sinal. Pouco importa se existe lei.
Um exemplo: do Eloy Chaves para o Centro, pela rodovia Dom Gabriel, logo depois da Coca-Cola há uma subida (tecnicamente, um aclive), com acesso à rodovia dos Bandeirantes. Há placas enormes, gigantescas, obrigando ônibus e caminhões a trafegar na pista direita.  Além da sinalização com símbolos, está escrito.
Levando-se em conta que motoristas de ônibus e caminhões são profissionais, que fizeram mais cursos que os mortais comuns para terem sua carteira de habilitação, seria de se esperar que obedecessem essa sinalização. Não obedecem. A qualquer hora são vistos ônibus, urbanos e fretados, e gigantescas carretas, trafegando na pista da esquerda. Como são lentos, provocam filas e congestionamentos.
Então a questão não é formação. É educação, coisa que passa longe das garagens. Não seria má idéia as empresas de ônibus colocarem limitadores de velocidade em seus carros. Nem má idéia a Polícia Rodoviária fiscalizar esse trecho da rodovia. E uma idéia melhor ainda seria os fiscais nos terminais multarem as empresas cujos motoristas barbarizam. Mas parece que todo mundo está dormindo.

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