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domingo, 30 agosto, 2026

Em três meses, Brasil poderá ter mais 5 milhões de desempregados

Cálculo do Ibre aponta que a taxa subirá de 11,6% para 16,1% no segundo trimestre. Isso significa que 5 milhões de pessoas vão perder seus postos de trabalho em apenas três meses, chegando ao maior contingente da história.
Se confirmada, essa previsão levará o mercado de trabalho brasileiro ao pior momento da série histórica, pois, nem no auge da ressaca 2015 e 2016 tanta gente ficou sem emprego. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o recorde foi registrado em março de 2017, quando a taxa de desocupação bateu 13,7%, com 14,1 milhões de brasileiros sem trabalho.

“É de se esperar que tenhamos a maior taxa de desemprego da história, porque, por mais que o governo tente ajudar e que haja uma expansão do crédito, nem todas as empresas conseguirão manter suas atividades nesse quadro de paralisia da economia. Há muitos custos fixos para as empresas”, explica o pesquisador da área de Economia Aplicada do Ibre, Daniel Duque.

Empresários admitem que a perda de receita causada por esse momento de pandemia vai levar ao fechamento de inúmeros postos de trabalho, mesmo depois das medidas de socorro anunciadas pelo governo federal. Milhões de negócios precisaram fechar as portas por conta da necessidade de isolamento social e por isso tiveram queda de quase 100% da receita. Alguns dizem que as demissões já começaram. O setor de bares e restaurantes calcula 150 mil demissões no país. Mas analistas alertam que é só o começo.

O Ibre calcula que a taxa de desemprego brasileira, que já subiu de 11,2% para 11,6% no trimestre encerrado em fevereiro, antes da pandemia, pode subir para 12,9% em março, diante do primeiro choque da crise do coronavírus. Isso elevaria de 12,3 milhões para 13,6 milhões o número de desempregados em apenas um mês. Mas, como a paralisação de boa parte dos negócios brasileiros continuou em abril, o Ibre calcula a taxa em 16,1% no segundo trimestre, com 17 milhões de desempregados.

Passada a necessidade de isolamento social, o instituto acredita que haverá certo nível de recontratações. Por isso, espera que a taxa de desemprego caia para 15,7% no terceiro trimestre e para 14,7% no fim do ano. A projeção coincide com os cálculos de outras instituições financeiras.

Mesmo que a retomada das atividades econômicas ocorra no segundo semestre, 15,5 milhões de pessoas devem acabar o ano sem emprego. Serão 3,2 milhões de desempregados a mais do que havia antes da pandemia. As projeções são da XP Investimentos e da ModalMais. Isso mostra que as medidas anunciadas pelo governo serão insuficientes para reduzir o baque da covid-19 na economia.

Um dos segmentos mais atingidos pela crise da covid-19 deve ser o das micro e pequenas empresas, responsável por 55% dos empregos do país. O presidente do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), Carlos Melles, admite que a situação não é fácil nos negócios de menor porte, apesar não estimar qual será o impacto no nível de empregos. Responsável por outra parcela importante dos empregos brasileiros, o setor de comércio e serviços também prevê perdas.

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