Ao avacalhar políticos de todas as correntes, o site de humor Sensacionalista se destaca na Internet
Em tempos em que os linchamentos ideológicos se banalizaram e um simples bom-dia pode levar o emissor a ser chamado de coxinha ou petralha, o bom humor periga ser malvisto. Para quem não se furta (sem piada) a gargalhar da situação em que se encontra o país, o site Sensacionalista é o melhor refúgio.
No terreno fértil da crise, a audiência do site saltou de 5 mil visitas por dia, em outubro de 2014, para 300 mil agora. No Facebook, o Sensacionalista reúne 2,3 milhões de seguidores, atraídos por anedotas da série pode rir, a piada é essa, em que o alvo pode ser o senador Aécio Neves, do PSDB, numa passeata anticorrupção ou o governo federal pregando o impeachment do ministro do STF Gilmar Mendes.
Como sabem os redatores do Sensacionalista, nossos políticos são um estoque inesgotável para a pilhéria. De bate-pronto, o recente afastamento do PMDB do governo forneceu matéria-prima para tiradas impagáveis. Algumas delas: “onge do poder há 2 dias, ministro do PMDB é internado com crise de abstinência, ou Menos de 24 h separado do governo, PMDB já é visto no Tinder.
O humorista Nelito Fernandes, um dos fundadores do site, tem explicação para o sucesso que eles fazem. “Temos agora um ambiente propício para a piada, diz ele. O respiro cômico é um recurso muito usado em roteiros dramáticos, e é isso o que o Sensacionalista faz, propiciar um momento de alívio no meio da maluquice em que estamos vivendo”.
O Sensacionalista foi criado em 2009 como uma paródia do noticiário. Ao longo desses anos, algumas das postagens viraram memes na internet. No meio do intenso tiroteio atual, em que muitos se travestem de humoristas para fazer proselitismo político, o maior trunfo do grupo é que eles conhecem a regra número um do humorismo: não existe humor a favor.
Ou seja, se a piada for boa, ninguém está imune a ser pivô do escárnio. “Não tem um dia sequer em que não nos acusem de sermos coxinhas ou petralhas. Se a dúvida existe, significa que estamos no caminho certo”, afirma Nelito.
Nada é mais sem graça que o pretenso humor de facção. Se o autor se impõe um balizamento partidário, só vai arrancar risadas de seus confrades ideológicos, e ainda assim por bajulação. “É bom que o humor desagrade a gregos e troianos. O sucesso de qualquer artista depende de sua total liberdade”, diz Marcio Acselrad, criador do Laboratório de Estudos do Humor e do Riso da Universidade de Fortaleza (Unifor).





