“Estima-se que para universalizar o acesso ao saneamento básico serão necessários mais de 600 bilhões de reais e esse recurso não virá se não tiver um marco regulatório, que dê garantias e segurança jurídica para os investidores”, afirmou a CEO da BRK Ambiental, Teresa Vernaglia, no início de sua apresentação, durante o Webinar Universalização do Saneamento e o Papel da Iniciativa Privada, promovido pelo Consórcio PCJ na última sexta-feira (15).
O encontro online foi transmitido pelo Youtube e Facebook da entidade e contou com as participações do presidente regional da AEGEA Mirante de Piracicaba, Jacy Prado, do vice-presidente nacional da Associação Brasileira de Engenharia Sanitária e Ambiental (ABES), Carlos Rosito, e teve como moderador dos debates o diretor de Concessão da BRK Ambiental e conselheiro do Consórcio PCJ, Fernando Mangabeira.
Teresa ainda destacou que o sucesso do saneamento no país passa pelo tripé marco regulatório, agência reguladora com recursos financeiros e técnicos, e projetos de qualidade, com a divisão de riscos entre o poder concedente e concessionário. Ela também evidenciou a importância da comunicação nesse processo.
“Se a gente não começar logo cedo a trabalhar nas pessoas o porquê do saneamento ser importante, atrelando para as pessoas que aquela ida ao posto de saúde por diarreia se deve por falta de acesso à água de qualidade, a gente sempre será refém do por que pagar a tarifa de água ou que ela é muito cara, e para os políticos ficaremos sempre no paradigma de que é obra que fica embaixo da terra. O saneamento é a maior mazela que as comunidades mais vulneráveis possuem hoje”, afirmou.
Mesma idéia foi apontada pelo diretor da AEGEA Mirante, que discorreu sobre a importância de trabalhar a comunicação e sensibilização na comunidade. “A gente interage muito com a população, divulga para outras cidades e estados o quão importante o setor é para a saúde e bem estar geral”, comentou Jacy Prado e ainda acrescentou que a melhoria do tratamento de esgoto em Piracicaba acarretou diminuição de pessoas doentes, o que contribui no combate à pandemias, como a do coronavírus.
Para Prado, os investimentos em Saneamento giram entre os 600 bilhões e 1 trilhão de reais e esse montante não será levantado sem o envolvimento de todos – público, privado e sociedade. “Somente com todo mundo junto vamos alcançar a universalização porque é um investimento muito alto a se captar e concorrer com outras áreas estratégicas para o país”, explicou.
Carlos Rosito fez uma explanação histórica sobre o saneamento no país e destacou o investimento baixo destinado a saneamento em relação ao PIB (Produto Interno Bruto), que gira em torno de pífios 0,2%.
“Não falta dinheiro, o que falta é capacidade técnica e administrativa para contratar”, afirmou.
Rosito defendeu a participação da iniciativa privada no setor. “Não é só desejável, mas indispensável essa participação das empresas. Chile e Inglaterra possuem 100% do serviço privado e com índices invejáveis de atendimento do serviço. Quando falamos de mundo, não passa de 15 a 20% o número de pessoas que são atendidas por serviços de saneamento públicos”, explanou o vice-presidente da ABES.





