A história de João de Deus, de 78 anos, médium condenado a mais de 40 anos de prisão por abusos sexuais e outros crimes, será o tema da nova série documental da Globoplay. O conteúdo estreia nesta terça-feira (23), na TV Globo e na plataforma de streaming.
A série terá seis episódios e começa mostrando a fama do médium. Em seguida explica as descobertas da produtora e roteirista Camila Appel, do programa Conversa com Bial, sobre os indícios de abuso sexual por parte do religioso.
A apuração começou quando Pedro Bial se recusou a ir a Abadiânia, em Goiás, onde o médium mantinha um centro de atendimentos espirituais, para uma entrevista que iria ao ar em seu programa. “Ele falava que tudo o que pedia para quem ia até lá era fé, e isso eu não podia dar”, diz o apresentador.
Desta forma, Camila conversou com uma conhecida que havia trabalhado no centro, que revelou informações sobre abusos sexuais cometidos por João de Deus. Depois disso, a produtora localizou algumas vítimas brasileiras que não quiseram aparecer frente às câmeras, isso porque se sentiam ameaçadas pelo poder do médium.
A primeira denúncia só veio a público em 2018, no programa de Bial, feita pela coreógrafa holandesa Zahira Mous. O caso desencadeou centenas de outras denuncias de mulheres que foram vítimas do médium no Brasil e no mundo desde a década de 70.
Camila se sente orgulhosa de seu trabalho. “As mulheres questionavam que a gente não ia conseguir colocar, que não seria feito da maneira adequada. Mas foi – e foi um orgulho imenso”, comenta.
Contudo, a produtora relata que ficou impressionada que as mulheres já haviam tentado denunciar os casos, mas sem sucesso. “Elas não foram ouvidas. Temos o caso de uma menina que há mais de 10 anos o processou e ele foi inocentado. Uma mulher, em 2016, confrontou João de Deus e seu círculo mais próximo, fez boletim de ocorrência, fez denúncia online ao Ministério Público e não houve consequências”, relata Camila.
João de Deus segue em prisão domiciliar desde o dia 30 de março por sua condição de saúde e pelo risco de contágio do novo coronavírus no sistema penitenciário.





