Devido a mudança na direção do vento, a nuvem de gafanhotos que está atualmente na Argentina se deslocou 10 km e agora está a 90 km da fronteira com o Brasil. A aproximação é equivalente a distância entre as cidades de Jundiaí e Limeira.
A cidade gaúcha mais próxima dos insetos é Barra do Quaraí, a 96 km. Esse é o ponto mais próximo do Rio Grande do Sul que os gafanhotos chegaram.
Na manhã de quinta-feira (23), técnicos do Serviço Nacional de Sanidade e Qualidade Agroalimentar da Argentina (Senasa) aplicaram inseticidas, por via terrestre, na cidade de Federacion, na Argentina.
Os gafanhotos podem trazer grande estrago às lavouras, isso porque se alimentam das plantas. Eles dão preferência para folhas bem verdes, como milho, trilho, soja e pastagens para o gado.
Segundo especialistas, a nuvem pode conter 40 milhões desses insetos e devoram o equivalente a alimentação de 2 mil vacas em um dia. Além disso, a nuvem que ameaça chegar no Brasil é 10 vezes maior, com potencial de devorar o que 20 mil vacas comeriam por dia.
“É o elevado impacto que eles podem causar nas plantas cultivadas. Em algumas situações, a gente pode estar perdendo uma safra que é o caso do trigo, ou perdendo um ou dois anos de área folhar, que é o caso do citros. É por isso que a gente tem essa preocupação, que esses organismos cheguem nas nossas regiões e podem causar, sim, elevados impactos para a agricultura”, explica o entomologista Maurício Passini.
De acordo com pesquisadores, a única maneira capaz de combater um ataque de gafanhotos é através da aplicação de inseticidas.
Por isso, um plano de combate aos insetos pode contar até, caso necessário, com aproximadamente 400 aviões para aplicação de agrotóxico contra a nuvem. Cerca de 70 aeronaves, usadas para aplicação de inseticidas, já estão prontas para uso. A Secretaria de Agricultura do estado quer começar esse trabalho antes dos insetos chegarem em solo gaúcho.
“Estamos em estado de alerta. Existe chance deles chegarem ao Rio Grande do Sul. Com essa ação em conjunto com os demais países, poderíamos ajudá-los e também proteger a nossa fronteira”, explica o secretário Covatti Filho
O Ministério da Agricultura repassou R$ 600 mil para compra de inseticidas e de combustível para as aeronaves.





