Nos frios meses de junho e julho, quando as recomendações para evitar aglomerações eram mais insistentes, muita gente optou por andar de bicicleta, longe de ônibus e trens lotados.
Outros, que tinham seus carros, mas sofriam no trânsito, resolveram pedalar. Resultado: em junho e julho as vendas de bicicletas foram 118% maiores que as dos mesmos meses do ano passado. A própria Aliança Bike (Associação Brasileira do Setor de Bicicletas) afirma que a quarentena impulsionou as vendas.
Pra ajudar, o mercado oferece bicicletas elétricas, que atingem até 25 quilômetros por hora e podem ser recarregadas em tomadas simples, caseiras. Não custam tanto – a partir de dois mil reais. E é um mercado crescente. Segundo a Aliança Bike, esse tipo de bike teve suas vendas aumentadas 34% entre 2016 e 2019.
Mas andar de bicicleta não é passar na loja, comprar e sair por aí. O Código de Trânsito prevê sua condução, e é bom sempre ter equipamento de segurança, como capacete e treja apropriado. E o principal, saber como a bicicleta será usada. E antes de comprar, é melhor se perguntar:
Preciso de uma bike para utilizar como meio de transporte no dia a dia? Quanto tempo, em média, pretendo pedalar? Pretendo andar na cidade, trilha, estrada ou em todo tipo de terreno? Quanto dinheiro pretendo ou posso gastar em uma bicicleta? Com as respostas, é hora de escolher.
Tipos de bicicletas
Urbana
Como o próprio nome diz, são bicicletas são ideais para na cidade, perfeitas para pedalar nas ruas, ciclovias ou parques. As bicicletas urbanas são confortáveis, podem ter bagageiro, para-lamas, farol, lanterna e buzina. Uma bike urbana tem pneus mais finos e sem cravos e isso proporciona melhor eficiência no asfalto. Além disso, seu selim é mais confortável.
Este tipo de bicicleta proporciona maior estabilidade, pois o ciclista pedala um pouco mais em pé, mas isso por outro lado, dificulta vencer subidas e desempenhar uma boa velocidade. As urbanas apresentam modelos femininos que vêm equipadas com cestinha no guidão, espelhos retrovisores e desenho de quadro diferente, apropriado para uso com saia, o que facilita as mulheres subirem e descerem da bicicleta.
Dobráveis

As bikes dobráveis também são muito usadas de forma urbana, pois esse tipo de bike pode ser dobrado, ocupando pouco espaço, podendo ser colocada num cantinho da casa, no porta-malas do carro, embaixo da mesa no trabalho ou transportadas com uma bolsa específica.
Outra vantagem é que as dobráveis podem ser embarcadas, desde que dobradas em diferentes meios de transporte, como ônibus, trens, metrôs e até barcas. Esse uso da bike atrelado a outros meios de transporte é conhecido como comutação e permite ao ciclista transpor longas distancias com a sua bike. No metrô de São Paulo e nos trens da CPTM, por exemplo, o embarque com uma dobrável é permitido em qualquer horário, desde que esteja embalada e não ultrapasse a medida de 150 x 60 x 30 cm. As dobráveis pesam 10 quilos, em média. Alguns modelos, quando dobrados, permitem que se empurre ou puxe a bike utilizando suas próprias rodas, como se fosse uma mala.
Bicicleta Fixa, Fixed Gear Bike ou Bike Fixa

As Fixies, como também são conhecidas, têm sua origem inspirada nas bicicletas de velódromo, mas ganharam popularidade em grandes centros urbanos após serem adaptadas para as ruas por ciclistas mensageiros de Nova York e São Francisco que buscavam agilidade e rapidez na locomoção. A principal característica de uma bike fixa é ter o pinhão fixo na roda traseira. Ou seja, esta bicicleta não possui roda livre, a roda traseira gira, os pedais também giram, tanto para frente, quanto para trás.
Para andar em uma fixa é necessário pedalar o tempo todo, não tem como parar de pedalar ou ficar na banguela. Este tipo de bicicleta permite que a frenagem seja feita através do travamento dos pedais com as pernas. Por isto, outra característica marcante das fixas é ter somente o freio dianteiro e muitos ciclistas acabam até retirando este freio, optando pela frenagem, exclusivamente, com o travamento dos pedais.
A fixa também permite ao ciclista o controle da velocidade da bicicleta de acordo com o ritmo da sua pedalada, podendo desacelerar pedalando mais lentamente. A bicicleta fixa, por ter mais simplicidade, demanda menos manutenção e é mais leve que as convencionais, pois não tem marchas e ou até sistema de freios .
Mountain Bike

As Mountain Bikes ou MTBs – Bicicletas de Montanha – as mais vendidas e mais populares no Brasil, são usadas para qualquer terreno e condição, por isso, em Portugal, são conhecidas como BTT – Bicicletas para Todo Terreno. As MTBs são adequadas para trilhas em terrenos acidentados, estradas de terra, neve e lama. São equipadas com pneus largos com cravos que oferecerem maior estabilidade em terrenos irregulares ou lama. Também podem ter sistema de amortecimento, suspensão dianteira, full suspension (dianteira e traseira) ou rígida/hardtail (sem Suspensão).
Para uso urbano, é ideal a utilização de pneus slick ou semi slick que proporcionam melhor eficiência no asfalto e são adequados para o ciclo turismo. O quadro e rodas são mais resistentes e câmbio, com até 27 marchas, é ideal para vencer qualquer subida.
Speed , Estrada (Road Bike) ou Corrida

Speed são bicicletas feitas para velocidade, utilizadas em corridas internacionais como Tour de France e Giro de Itália. São bikes apropriadas para o asfalto ou estrada, pois, por serem leves, desenvolvem boa velocidade. Pneus finos com alta pressão diminuem a aderência ao solo, o que exige maior técnica e prática do ciclista. Não é muito recomendada para iniciantes, uso em pisos escorregadios ou em área urbana, pois o pneu fino e liso, é mais propício a furos.
BMX

O BMX do inglês Bicycle (B) Moto (M) Cross (X) também conhecido Bicicross, nasceu das crianças que imitavam seus ídolos do Motocross, construindo pistas e fazendo corridas informais. A partir dai, desenvolveu-se um tipo bicicleta própria para corrida em pistas de terra similar as de Motocross. Atualmente o BMX se divide em duas modalidades, o Race (corrida) e o Freestyle (estilo Livre / manobras). No BMX Freestyle há cinco modalidades: Street, Mini Ramp, Dirt Jump, Flatland e Vertical.
As bicicletas possuem aros 20 e 24 sendo que as de BMX Race têm componentes de menor peso, buscando melhor desempenho e velocidade. Já as bikes para a prática do BMX Freestyle, como Dirt e Street, têm componentes de maior durabilidade e resistência, o que acarreta um peso maior.
Downhill ou DH

No downhill, o ciclista percorre descidas agressivas e técnicas, passando por diversos tipos de terreno (irregular, natural ou artificial), além de jumps (pontos de salto), gaps (vãos a serem transpostos com ou sem rampa) e drops (grandes degraus onde o ciclista se deixa cair para transpor), enfrentando situações de bastante risco. Em resumo, o downhill não é para iniciantes.
A bicicleta de downhill tem design arrojado e quadro reforçado para suportar grandes impactos, também é mais pesada que as demais e são full suspension (possuem suspensão dianteira e traseira). A bike de DH não tem câmbio dianteiro, ao invés disso, é instalada uma guia de corrente com a finalidade de manter a transmissão funcionando mesmo com todas as trepidações que a pista transmite para a bicicleta.
A geometria e a posição do quadro da bike com relação ao chão diferem das de outras modalidades. Ela tem a suspensão da frente mais alta, o que provoca uma leve inclinação para trás e ajuda nas descidas acentuadas e também faz com que o ciclista tenha menos probabilidade de cair para frente.
Reclinada
A reclinada é um tipo de bike no qual o ciclista não vai montado como nas bicicletas tradicionais, mas sentado ou eventualmente deitado, isto traz mais conforto, ergonomia e segurança. Por ser mais confortável, muita gente a utiliza para ciclo turismo, pois permite cobrir grandes distâncias sem sobrecarregar pulsos, ombros, pescoço, etc.
As reclinadas apresentam uma grande infinidade de configurações, seja por características do quadro, do comportamento, do peso e dos fins a que se destinam. Basicamente são divididas em dois tipos: Com distância curta entre eixos (Short Wheel Base, ou SWB). Com distância grande entre eixos (Long Wheel Base, ou LWB). As LWB são mais confortáveis que as SWB e muito mais confortáveis que as bikes convencionais. As SWB têm maior curva de aprendizagem, são menos práticas e mais nervosas. Mas compensam, pela velocidade elevada na subida ou em terreno plano. Nas descidas, ambas são mais rápidas que uma bicicleta comum.
Bike Trial

Na modalidade Bike trial, o objetivo é transpor obstáculos (naturais ou artificiais) com a bicicleta em um percurso definido, é uma modalidade derivada do Trial de motocicleta. É praticada com bicicletas aros 20, 24 e 26, e o praticante deve passar pelos obstáculos sem colocar os pés no chão ou as mãos nos obstáculos. O bike trial é uma modalidade que exige habilidade, equilíbrio e muita técnica.
As bicicletas de bike trial têm uma única marcha (com a coroa e a catraca bem pequenas) e freios precisos. São bem resistentes para suportar trancos e saltos de lugares altos. Além disso, para melhorar o controle da bike de trial, o guidão é mais largo, o quadro normalmente não tem banco, pois o praticante passa a maior parte do tempo de pé controlando a magrela. Os pneus são mais largos, com cravos e calibrados com baixa pressão, para ficarem mais macios.
E-Bike, E-Bicicleta, Bicicleta Elétrica ou bicicleta híbrida

As bicicletas elétricas (E-Bikes) são movidas parcialmente ou completamente por um motor elétrico que é alimentado por baterias recarregáveis. O objetivo dessa bike é deixar o pedal mais leve para quem não tem preparo físico, a bicicleta elétrica auxilia no percurso de subidas e pode ajudar também no transporte de mercadorias ou até de pessoas. Ela tem sensores que sustentam o esforço do ciclista somente quando ele está pedalando.
Nos percursos planos, o motor pode fazer o trabalho de movimentar a bicicleta. Nas subidas, o ciclista não precisa pedalar muito, pois é auxiliado pelo motor para vencer o trajeto com menos esforço. Com velocidade média de 25 km/h, a maioria das bicicletas elétricas pode chegar de 30 km/h a 40 km/h.





