Com desemprego e falta de dinheiro, muita gente teve plano cancelado. UBSs e hospitais públicos lotam com isso
Muitos – talvez milhões – de brasileiros estão deixando de fazer parte do que agora pode ser considerada uma elite – a dos beneficiários de planos de saúde. Muitos tinham planos coletivos, aqueles feitos pela empresa, e com as demissões, tais planos foram cancelados. Outros – e não são poucos – deixaram de pagar devido à falta de dinheiro e aos aumentos das operadoras.
Entre março de 2015 e março de 2016, segundo o Instituto de Estudos de Saúde Suplementar (IESS), 1,33 milhão de pessoas perderam ou cancelaram seus planos de saúde e agora têm que recorrer ao Sistema Único de Saúde (SUS). Metade da queda ocorreu no Estado de São Paulo, que concentra a atividade econômica. Num momento em que a arrecadação dos governos estaduais e federal só cai, o aumento dessa demanda onera ainda mais um setor público já sobrecarregado.
No mesmo período, o saldo de criação de vagas, de acordo com o cadastro do Ministério do Trabalho, foi negativo em 1,8 milhão.
Entre quem ainda consegue manter o plano, não depender do SUS é um dos principais motivos para colocar o benefício no fim da lista de gastos a serem cortados do orçamento. O que resta, então, é mudar de categoria e aderir a um plano mais econômico – e com menos cobertura.





