Inquietam-se os taxistas locais com a chegada do Uber, que já foi claro em suas intenções de expandir o serviço para nossa cidade. Alegam o esperado, que isso vai prejudicar a categoria, que vai trazer problemas sociais e outros menos recitados. Na Capital, o prefeito Fernando Haddad autorizou o serviço por decreto, apesar das pressões dos taxistas. O Uber em Jundiaí é inevitável.
Não há como comparar os serviços de táxi com os do Uber. Taxistas cobram uma taxa aprovada pela Prefeitura onde existem a bandeirada, contada a partir do momento que o táxi sai do ponto, e a quilometragem, referente à distância percorrida. Pagamento em dinheiro, na maioria dos casos.
Como dependem de licença, os táxis são em número limitado. Segundo a Secretaria de Transportes, há 218 carros autorizados para o serviço, alocados em 48 pontos – há ainda sete pontos livres. Isso para uma cidade de 400 mil habitantes. É uma espécie de reserva de mercado.
O fato de ser oficial favorece uma prática tenebrosa. Sabe-se que poucos controlam muitos táxis, colocados em nome de laranjas. Sabe-se também que o direito de usar determinado ponto custa caro, e que as vendas são feitas com contrato de gaveta. Por ser concessão, um ponto não poderia ser vendido. Mas que isso fique de lado, o que importa é o serviço.
O Uber não precisa nada disso. O interessado em trabalhar precisa ter um carro que atenda às exigências do Uber – dentre elas ar condicionado, idade máxima de cinco anos, necessariamente modelo quatro portas. Depois de aprovado, o motorista passa por treinamento.
O usuário do Uber também precisa se cadastrar e ter celular. Cadastro pronto, quando precisa basta apertar determinada tecla do aplicativo que aparecerá o Uber rapidamente. Mais dois detalhes: o motorista só fica sabendo do destino do passageiro ao apanhá-lo, e o passageiro pagará a corrida com cartão de crédito, também já cadastrado.
Isso e infinitamente mais seguro que o táxi. Como não há dinheiro circulando, não há risco de assaltos. Como não se sabe o destino do passageiro, não há como o motorista escolher a corrida, prática comum entre taxistas – muitos preferem as mais rentáveis. As pequenas são conhecidas como carne de pescoço.
Muitos motoristas Uber oferecem água gelada, bolacha e balas aos passageiros, coisas impensáveis num táxi. Logo os carros Uber estarão circulando. Logo os taxistas estarão protestando. Espera-se que haja bom senso de todos, e que se entenda que a concorrência é boa para todo mundo. Reserva de mercado é coisa do passado.





