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sábado, 11 abril, 2026

Bombardier anuncia fim da produção do Learjet

Fim da produção dos jatos executivos da família Learjet faz parte do plano de redução de custos da fabricante canadense

A fabricante canadense Bombardier informou que vai encerrar a produção dos jatos executivos da família Learjet e cortar 1.600 postos de trabalho como parte de um plano para aumentar a lucratividade e reduzir custos. Em comunicado, a fabricante diz que encerrará a produção do Learjet no quarto trimestre de 2021, “permitindo que a empresa se concentre em suas famílias de aeronaves Challenger e Global, mais lucrativas”.

“Com mais de 3.000 aeronaves entregues desde sua entrada em serviço em 1963, a icônica aeronave Learjet teve um impacto notável e duradouro na aviação executiva. Passageiros de todo o mundo adoram voar nesta aeronave excepcional e contar com seu desempenho e confiabilidade incomparáveis. No entanto, devido à dinâmica cada vez mais desafiadora do mercado, tomamos essa difícil decisão de encerrar a produção do Learjet”, afirma o CEO da Bombardier, Éric Martel.

A empresa acrescentou que continuará oferecendo suporte total à frota de Learjet no futuro e, para esse fim, lançou o programa de remanufatura Learjet Racer para os modelos Learjet 40 e Learjet 45. O programa Racer inclui um conjunto de aprimoramentos para os Learjet, incluindo componentes internos e externos, novos aviônicos, conectividade de alta velocidade e aprimoramentos de motor. O processo de revitalização será oferecido na unidade da Bombardier em Wichita, Kansas, nos EUA.

A instalação da Bombardier que produz o Learjet há quase 60 anos, a fábrica no Kansas continuará servindo como o principal centro de teste de voo da empresa e parte da rede de serviços de manutenção. A decisão da empresa de encerrar a produção do Learjet faz parte de um plano de redução de custos de US$ 400 milhões por ano até 2023, incluindo US$ 100 milhões já neste ano.

Em situação financeira delicada, a Bombardier vendeu uma série de importantes unidades nos últimos dois anos. Nesse tempo, a empresa abriu mão do programas CSeries (atual Airbus A220), QSeries, CRJ e, no mês passado, concluiu a transferência de sua divisão ferroviária para a Alstom. Outra baixa foi a venda da fábrica de aeroestruturas Short Brothers, na Irlanda do Norte.

O que hoje se conhece como uma família de jatos executivos da Bombardier, a Learjet foi no passado uma companhia independente. A empresa foi fundada no final da década de 1950 pelo engenheiro norte-americano William Powell Lear. O primeiro avião fabricado pela marca foi o Learjet 23, em 1962, um dos primeiros jatos executivos da história, ao lado do clássico Lockheed Jetstar. Desde então, a aeronave evoluiu incorporando novos recursos e foi produzida em 10 versões diferentes. A Bombardier adquiriu a Learjet em 1990, apresentando o modelo Learjet 45 em 1997, o primeiro com novo design desde o modelo pioneiro Learjet 23.

Os Learjet são alguns dos jatos leves mais rápidos do mercado, com velocidade de cruzeiro acima de 800 km/h. O modelo canadense hoje é conhecido pelos baixos custos operacionais e preços de aquisição convidativos. O modelo atual mais em conta é o Learjet 75 Liberty, avaliado em US$ 9,9 milhões e disponível somente até o final deste ano.

Seis companhias aéreas brasileiras que deixaram de existir

As passagens eram bem mais caras, mas o serviço de bordo era cinco estrelas – nem comparado à bolacha e ao copo d´agua dos dias atuais

O Brasil tem atualmente apenas três grandes companhias aéreas em atividade: Gol, Latam e Azul. Juntas elas foram responsáveis por transportar 99,5% dos passageiros de avião no último ano, segundo dados da Anac (Agência Nacional de Aviação Civil).

As três empresas podem ser consideradas relativamente novas. Mais antiga delas, a Latam surgiu em 1976 como Tam Transportes Aéreos Regionais. A expansão da companhia para ser uma empresa de alcance nacional e internacional só veio nos anos 1990. A Gol completou em janeiro 20 anos de atividade. A mais nova é a Azul, que em dezembro comemorou 12 anos de existência.

O Brasil, no entanto, já teve muitas outras companhias aéreas que não resistiram ao tempo e ficaram apenas na lembrança. Se ainda existisse, a Varig estaria próxima de completar 94 anos. Outras aéreas já foram até maiores que a Varig e também quebraram. Lembranças das companhias aéreas do passado:

Varig

Fundada em 7 de maio de 1927, a Varig (Viação Aérea Rio-Grandense) foi a principal companhia aérea brasileira durante muito tempo, até enfrentar crises nos anos 1990 e início dos anos 2000, ser vendida em 2007 para a Gol e desaparecer do mercado. Criada pelo alemão Otto Ernest Meyer, a expansão da empresa veio somente nos anos 1940 com voos internacionais na América do Sul. Em 1955, surgiram os voos para os Estados Unidos.
A Varig sempre se destacou pela qualidade do atendimento ao passageiro, que chegou a ser premiado como o melhor do mundo em 1979 pela revista americana Air Transport World. A empresa foi uma das principais do mundo até o início dos anos 2000, quando a crise apertou e a Varig não resistiu mais.

Cruzeiro

A história da Cruzeiro se confunde com a da Varig. Fundada em 1927 como Syndicato Condor, a empresa foi criada por alemães. A Segunda Guerra Mundial, no entanto, trouxe as primeiras dificuldades, e a companhia aérea passou a adotar o nome de Cruzeiro do Sul.
Na década de 1940, era uma das mais importantes companhias aéreas brasileiras. Passou a fazer voos internacionais em 1947. Entre os destinos, estavam Nova York e Washington, ambas nos Estados Unidos. A crise da empresa veio nos anos 1970, justamente quando Varig, Vasp e Transbrasil atingiam seu auge. Sem conseguir competir, a Cruzeiro acabou sendo vendida para a Varig, em 1975.

Vasp

A Vasp (Viação Aérea de São Paulo) teve seu primeiro voo em 12 de novembro de 1933. No início, a empresa operava no aeroporto Campo de Marte, em São Paulo. As chuvas e alagamentos da região fizeram com que a empresa procurasse novo local para decolar e pousar seus aviões. O que era conhecido na época como campo da Vasp hoje é o Aeroporto de Congonhas.

A companhia enfrentou dificuldades logo no início e, já em 1935, foi estatizada pelo governo do estado de São Paulo. Na década de 1990, a Vasp foi novamente privatizada. O empresário Wagner Canhedo promoveu grande expansão internacional, com voos para a Ásia, Estados Unidos, Canadá e Europa, além de comprar empresas estrangeiras.

Esse crescimento, no entanto, foi muito além da capacidade da empresa. Em crise financeira, a Vasp atrasou pagamentos e colocou em risco até a manutenção dos aviões. Alguns chegaram a ser proibidos de voar. A situação se agravou, até que em 2005 o antigo DAC (Departamento de Aviação Civil) cassou a autorização de operação, e a Vasp deixou de voar.

Panair do Brasil

Uma das primeiras companhias aéreas brasileiras, a Panair surgiu em 1929 com uma subsidiária da norte-americana NYRBA (New York-Rio-Buenos Aires), que logo em seguida seria incorporada pela Pan Am. Assim, a empresa também mudou o nome de Nyrba do Brasil para Panair do Brasil.

A empresa chegou a ser a principal companhia aérea brasileira entre 1930 e 1950. O crescimento da Varig ameaçava a empresa e crescia a pressão para transformá-la em totalmente nacional. A Varig pretendia incorporar a Panair, mas ela acabou nas mãos dos empresários Celso da Rocha Miranda e Mário Wallace Simonsen.

O governo militar ficou incomodado com a situação e em 10 de fevereiro de 1965, um decreto suspendeu todas as operações da empresa. Os voos que eram operados pela Panair passaram imediatamente para a Varig. A suspensão nunca foi revogada.

Real Aerovias

A Real Aerovias ficou apenas 15 anos em operação, mas chegou a ser a maior companhia aérea brasileira em quantidade de aviões na frota. Fundada em 1945, a Real se aproveitou do excesso de aviões DC-3 do governo norte-americano para adquirir aeronaves a baixo custo e iniciar suas operações. O primeiro voo decolou em 1946.

A expansão da empresa veio no início dos anos 1950, com a compra de diversas outras companhias de menor porte. Com isso, a frota da Real chegou a 117 aeronaves. Na época, era a sétima maior frota do mundo, segundo ranking da IATA. Foi a mais alta posição ocupada por uma companhia aérea brasileira. O crescimento chamou a atenção da Varig, que adquiriu a empresa em 1961, encerrando o uso da marca.

Transbrasil

Criada originalmente em 1955 com o nome de Sadia Transportes Aéreos, a empresa surgiu para o transporte de carne fresca de Santa Catarina para São Paulo. O novo ramo de atividade da família Fontana foi sucesso e, em 1961, a Sadia comprou a Transportes Aéreos Salvador, ampliando sua participação no mercado aéreo nacional.

A mudança para o nome Transbrasil veio em 1973. A empresa se consolidava como uma das mais importantes do país, mas tudo começou a mudar na década de 1980. O Brasil enfrentava crises financeiras que afetaram todo o setor. Omar Fontana chegou a entrar na Justiça contra o governo. A resposta foi uma intervenção federal. Quando retomou o controle, Fontana encontrou uma empresa ainda mais debilitada.

Nos anos 1990, a empresa apostou nos voos internacionais para se recuperar, mas a situação não melhorou. Apesar disso, a empresa se mantinha em pé. Em dezembro de 2000, morreu Omar Fontana, e a crise na empresa se agravou ainda mais. Exatamente um ano depois, a Transbrasil ficou sem crédito até mesmo para abastecer os aviões e foi obrigada a ter todos os voos suspensos.

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