Está provado que o maior número de brigas domésticas, aquelas de marido e mulher onde rolam todas as baixarias, acontece nos fins de semana. Se houver feriado, pior ainda. É uma conclusão óbvia – o casal é obrigado a passar mais tempo junto e aí explodem as diferenças, aquelas coisinhas que estavam engasgadas, aquelas questões mal resolvidas.
Também está provado que casais que brigam assim brigam sempre. É uma espécie de rotina. É mais que um sinal ou evidência – é prova de intolerância. Mas esses casais não se separam. Na maioria dos casos, por comodidade. Ele pela comida, roupa lavada e um carinho ocasional em tempos de paz. Ela pela garantia do sustento, pra não ficar falada ou até por egoísmo – não é meu? Então não é de ninguém.
Mas é bom lembrar que tudo teve um começo, uma primeira vez. É a lembrança não lembrada, esquecida e praticamente apagada. Para não ter tanta briga, há casal que procura subterfúgios. Pode ser um amante (isso vale para ambos), um boteco, um joguinho de futebol ou churrasco com amigos. Ela com as amigas em intermináveis sessões de futricas.
Talvez no futuro não tenhamos mais isso. Fácil de explicar. Homens e mulheres escolhem hoje idade madura para casar. Não é como há anos, que mulher acima dos 30 era uma solteirona e homem um frouxo. Homens e mulheres – e isso também está provado – preferem continuar mais tempo à barra da saia da mãe, sem compromissos mais sérios.
Há também outros brinquedos para os casais atuais. Basta prestar atenção em restaurantes ou nos barzinhos. São casais que não conversam, que se sentam distantes e que passam a maior parte do tempo pendurados em celulares, colocando asneiras nas redes sociais. Se agora, namorando (ô fase boa!) estão assim, imagina-se como estarão depois de casados.
Nesses mesmos lugares, dá para observar a chegada e a saída desses casais – sempre um dos dois (ele ou ela) estará na frente, determinando o lugar onde sentar ou o ritmo de retirada no lugar. As mais emburradas costumam sentar-se no carro, caladas, enquanto o parceiro se despede de alguém. Eles, impacientes, fazem o mesmo quando a situação é inversa.
Pergunta-se então, como as pessoas chegam a esse ponto. Fácil de responder. Perderam o respeito próprio e pelo outro – dá para entender alguém que xinga a mulher com palavrões cabeludos dizer, horas depois, que a ama? Ou uma mulher que chama o marido de chifrudo numa briga convidar o mesmo para um passeio?
E assim está sendo construída nossa sociedade. Assim aprendem os filhos que presenciam essas baixarias, e que certamente as repetirão quando estiverem adultos. E não adianta culpar um ou outro – no caso, tanto ele como ela precisam de vergonha na cara. Só isso.





