A importância das emoções e relações para o bem-estar foi comprovada por um estudo realizado pelo Departamento de Saúde da Universidade de York, no Reino Unido, e publicado em abril na revista Heart. Nele constatou-se que pessoas solitárias têm 30% mais chances de desenvolver doenças coronárias e acidente vascular cerebral (AVC).
Para os estudiosos a solidão oferece o mesmo impacto para o coração do que o estresse e a ansiedade. Além disso, eles notaram que as pessoas com ausência de relações afetivas costumam ser mais depressivas, estressadas e possuem estilo de vida menos saudável. Normalmente, não cuidam da alimentação, fumam, consomem bebidas alcoólicas e não praticam atividades físicas.
Um estudo divulgado em abril de 2016, realizado por uma universidade dinamarquesa com quase um milhão de pessoas constatou que a morte do companheiro aumenta em 41% o risco de uma arritmia no coração.
A perda de um amor, seja por morte ou ruptura de um relacionamento, já é reconhecida como um problema de saúde, a Síndrome do Coração Partido e leva muita gente ao hospital com suspeita de infarto. Também chamada de cardiomiopatia de Takotsubo, ela foi relatada pela primeira vez por médicos japoneses, no início dos anos 1990, e recebeu esse nome graças à imagem do ventrículo esquerdo na sístole que, após o problema, se assemelhava a uma armadilha para capturar polvos (tako) em forma de pote (tsubo) muito comum no Japão. No Brasil, o primeiro registro da doença foi em 2005.
Nessa síndrome, o coração fica mais ovalado e parte do músculo para de funcionar, assim como no infarto. A principal diferença entre os dois é que, no infarto, há as obstruções das artérias e o coração não volta a funcionar sozinho. Já cardiomiopatia de Takotsubo, não há qualquer tipo de obstrução, o coração para e depois volta ao normal. Segundo Dr. Edmo Atique Gabriel, os casos descritos na literatura médica foram desencadeados por situações de estresse e de emoção intensas, que promoveram uma secreção anormal de adrenalina e noradrenalina, com efeitos deletérios no coração.
Os sintomas, no entanto, são os mesmos do infarto: dor no peito, queda de pressão e desmaio. Na maioria dos casos, o paciente melhora e fica sem sequelas. O tratamento é feito com remédios para manter a pressão e o batimento cardíaco.
Como a síndrome surge após a pessoa passar por fortes emoções, não há como preveni-la. Mas o especialista alerta que convêm evitar situações extremas de brigas, separações, estresse e angústia. Uma pessoa angustiada, libera na corrente sanguínea hormônios que prejudicam o coração. Tanto que uma das doenças cardíacas, a angina, é conhecida como Angor Pectoris (angústia do peito).
Assim como os estados emocionais negativos de solidão e decepção amorosa geram doenças cardíacas, o sentimento de amor contribui para o coração bater no compasso certo, pois traz benefícios para organismo que reduzem as inflamações e a morte celular no tecido cardíaco. Mais um motivo para os apaixonados comemorar o dia dos namorados.
EDMO ATIQUE GABRIEL
Médico Cirurgião Cardíaco





