A chegada do trem teria a mesma importância dos aviões nos diasde hoje. Ingleses foram os primeiros
Quatro cidades, antigos distritos de Jundiaí, completam 50 anos de emancipação política no dia 21 de março – Louveira, Itupeva, Campo Limpo e Várzea Paulista. Em comum, têm o fato de terem crescido como povoados, bairros e distritos com a chegada dos trens a partir de 1867, ano de inauguração da Southern San Paulo Railway Co. Ltd. (SPR), depois Estrada de Ferro Santos-Jundiaí.
Num tempo de pouquíssimas estradas, todas de terra, de fazendas, sem carros e caminhões, cabia aos tropeiros e outros aventureiros as viagens do litoral para o interior, feitas no lombo de mulas, principalmente, mais resistentes que os cavalos. A chegada da estrada de ferro mudou tudo.
Cinco anos após a SPR, os fazendeiros paulistas, aliados ao governo, criaram outra estrada, a Companhia Paulista, partindo de Jundiaí para Campinas, e depois para Rio Claro. A intenção era só uma: levar a produção de café do interior para o porto de Santos. Uma peste, que matou muita gente em Campinas, obrigou a Paulista transferir sua sede para Jundiaí.
Também em 1872, foi inaugurado o primeiro trecho da Ytuana, ligando Jundiaí a Pimenta, hoje Indaiatuba. Depois o trecho foi estendido até Itu. Devido a problemas financeiros, a Ytuana acabou absorvida pela Estrada de Ferro Sorocabana pouco tempo depois. A linha tronco (Jundiaí-Itu) passava por Itupeva, e sua estação transformou-se, com a extinção da ferrovia, na antiga prefeitura.
Em 1884 surgiu a Estrada de Ferro Bragantina, ligando Bragança Paulista á Parada de Campo Limpo. Seis anos depois, foi inaugurada a Companhia Itatibense de Estrada de Ferro, ligando Itatiba a Louveira com o mesmo propósito – escoar a produção de café pelo trem.
A ferrovia tornou possível o transporte de máquinas, e assim surgiram as indústrias, que depois usaram os trilhos para mandar sua produção a outras cidades. No começo produzia-se principalmente, tecidos e ferramentas agrícolas. A indústria provocou outra mudança – o homem deixou a agricultura para se fixar nas cidades, e elas cresceram com o surgimento do comércio e outros serviços.
Campo Limpo, Várzea, Jundiaí e Itupeva também se ligavam pela água – todas são banhadas pelo Rio Jundiaí, outrora piscoso e navegável em muitos trechos. A partir do início do século 20 a transformação foi maior. Ramais ferroviários foram construídos para dentro das fábricas (caso da Argos, em Jundiaí), e as próprias empresas construíram suas vilas de operários – era a mentalidade inglesa, de dar conforto e manter seus funcionários perto do trabalho.
Campo Limpo teve seu conjunto de casas, ainda existente, construído pela Santos-Jundiaí. A Paulista construiu sua vila operária onde hoje está a Vila Municipal – algumas casas ainda se assemelham à construção original, na rua França.
A partir do governo Carvalho Pinto, nos anos 1960, a ferrovia entrou em declínio. Primeiro, todas foram unificadas, transformando-se em Fepasa (Ferrovias Paulistas SA). Aos poucos, os ramais considerados deficitários foram extintos, como o de Louveira a Itatiba, o da Bragantina, em Campo Limpo, e o da Sorocabana, em Jundiaí.
Hoje, as avenidas dos Ferroviários e Luiz Latorre, em Jundiaí, estão exatamente sobre o leito da antiga Sorocabana. O bairro Novo Horizonte (antigo Varjão), em Jundiaí, surgiu pela ocupação ilegal das terras que pertenciam à Fepasa (antiga Sorocabana) – já se sabia que o Estado não cuida do que é seu.
Hoje as ferrovias transportam somente carga – o único trecho, operado pela Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM), que transporta passageiros, está entre Jundiaí e São Paulo, com paradas em Várzea e Campo Limpo Paulista.




