Roquinho tornou-se uma espécie de lenda na região, ao chefiar gabinetes de prefeitos de diversas cidades
O advogado Roque Jose Agostinho nasceu em Bragança há 73 anos. Em 1956, mudou-se com a família para Campo Limpo. Família de muitos ferroviários, como o avô, maquinista da Bragantina, ou o tio, conferente da SPR ou o primo, chefe de estação. O pai, Octávio, montou um bar na rua da estação.
Roquinho faz parte da primeira turma de formandos do Divino Salvador, em Jundiaí, junto com o atual prefeito da cidade, José Roberto de Assis. Formou-se em Direito, e passou a ser doutor Roquinho, e aí começou fazer história. Integrou a Comissão de Emancipação de Campo Limpo, em 1963, e foi eleito vereador – ficou quatro anos na Câmara, como secretário.
Agora, aposentado após 40 anos de vida pública, Roquinho, ou Excelência, ou doutor Roque, coleciona tudo o que é histórico – ele mesmo é parte da história. Foi chefe de gabinete dos prefeitos Jorge de Maio Vellasco e Alcebíades Pardal Grandizoli (Campo Limpo), Walmor Barbosa Martins (Jundiaí), Toninho Ribas e Messias Cândido da Silva (Cajamar) e Benedicto dos Santos Neto (Louveira).
“Posso dizer com tranquilidade que não é fácil a vida dos prefeitos – diz ele. É preciso atender vereadores, população, secretários, comparecer a eventos e solenidades, pedir obras a secretários e governador e ainda cuidar da família”. Roque sabe o que está dizendo. Além de prefeituras do interior, foi chefe de gabinete também da sub-chefia da Casa Civil do governo estadual e da sub-prefeitura da Freguesia do Ó, na Capital, acompanhando Pardal.
O trato com pessoas de todos os níveis – de secretários estaduais, deputados, prefeitos, governadores e o cidadão comum – formou um hábito: Roquinho chama todos de Excelência. Tanto chama que acabou também assim sendo chamado.
Casado com dona Cecília, pai de Thiago e Camila e avô de Matteo, com 30 dias, Roquinho prepara dois livros. Um, “Eu também já fui excelência”, está quase pronto. O outro vai demorar mais – “Silhuetas que vivem na Campo Limpo do meu tempo”. É uma espécie de Google – sabe tudo e lembra de tudo.
“Participei de todas as reuniões da comissão de emancipação no Nacional Atlético Clube, conta ele. Só uma reunião foi fora de lá, no bar do meu pai”. Quando o município foi instalado pelo juiz eleitoral José Duílio Nogueira de Sá (pai do desembargador Márcio Franklin Nogueira), Roquinho foi o encarregado de fazer a ata, pelo próprio juiz. Depois, ajudou a criar o brasão de Campo Limpo.
Como vereador, foi secretário da Câmara. Fala com orgulho de Campo Limpo: “A cidade mudou, cresceu, mas tínhamos até uma fábrica de fogos de artifícios, a Dois Anões, que funciou durante 17 anos. A chegada da Krupp, em 1959, transformou a cidade”. Lembra ainda que o túnel de Botujuru ainda é o maior túnel ferroviário do Brasil.
Tem idéias próprias a respeito da administração de uma cidade. “Gabinete forte é aquele que domina todas as áreas da prefeitura, que centraliza para descentralizar”. Não se arrepende do que faz e já fez: “Se tivesse hoje de começar de novo, faria tudo outra vez”.




