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quinta-feira, 5 março, 2026

Mais álcool na gasolina. Vai começar a “disgraceira”

A partir de segunda-feira a gasolina passa de 25% para 27% de álcool na mistura. Coitado do motor
A gasolina brasileira já é uma das piores do mundo – e das mais caras. A partir do dia 16 vai ficar pior. Começa valer uma norma da ANP (Agência Nacional de Petróleo) aumentando a atual mistura, que é de 25% de álcool, para 27%. Ou seja, de cada litro colocado no tanque, mais de 1/4 não é gasolina, embora o preço seja o mesmo.
A zelosa, eficiente e maravilhosa Petrobras afirma que já fez testes (quais?) e que esse aumento de mistura – ou batismo – não influencia em nada o desempenho do carro. Mentira. “Qualquer alteração na composição do combustível muda o comportamento do motor”, explica Silvio Gregio, dono da Bosch Car Center/Revisa.
Quem tem carro flex vai sentir a mudança no aumento do consumo. É mais que sabido que o álcool precisa de mais compressão para explodir na câmara de combustão. Tem carro com injeção eletrônica, à gasolina, vai sentir engasgadas mais frequentes no motor. E quem tem carro com carburador vai perceber na primeira acelerada que seu motor não é mais o mesmo.
Um agricultor, ao saber da novidade, resumiu a situação: será uma “disgraceira”. E será mesmo. Mais álcool significa que a possibilidade corrosão de partes metálicas será maior, que as mangueiras se ressecarão com mais facilidade, e que será preciso fazer novas regulagens de motor, que não saem de graça.
Segundo dados oficiais, 88% dos carros que rodam por aí são flex. Sentirão só o aumento de consumo. Os outros 12% vão sofrer. Mas a bondosa Petrobras aconselha quem tem carro importado, principalmente, usar gasolina especial, a do tipo premium, bem mais cara.
“Álcool e gasolina têm comportamentos diferentes – explica Silvio. Cada um tem um ponto de combustão. Nos carros com injeção eletrônica, haverá mais falhas. Nos carros flex, só aumento de consumo, mas nos carros carburados pode aparecer falhas e batedeira de pino. O álcool é mais corrosivo, e a gasolina é mais lubrificante”.
Esse aumento de álcool na gasolina é resultado de pressão da indústria de açúcar e álcool, comandada por usineiros. Toda vez que precisam de dinheiro – todos estão devendo muito, mas não pagam – apertam o calo do governo, que gentilmente os atende.
Seria como alguém que fabricasse salsichas e estivesse endividado pedir ao governo para incluir salsicha, obrigatoriamente, no cardápio de todo mundo. Os usineiros têm empréstimos milionários nos bancos oficiais, mas não pagam um centavo, alegando sempre que o setor está em crise. Há quem aposte que a mistureba vai chegar a 30%.
Para deixar todo mundo contente, é bom saber que a Petrobras manda gasolina para a Argentina a precinho camarada. Lá, um litro de gasolina pura, sem água nem álcool, custa o equivalente a R$ 0,65.
Bom saber também que, quando foi lançado o Pró-Álcool, no final dos anos 1970, foi cobrado um imposto compulsório (obrigatório) junto com a gasolina, para incentivar a indústria do álcool. Esse tanto a mais seria devolvido depois de cinco anos. Seria. Até hoje ninguém conseguiu receber um centavo desse imposto.

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