Desde que se tornou ministro da Fazenda, o senhor Joaquim Levy só fala em duas coisas – cortar gastos e aumentar a arrecadação. Talvez seja mesmo necessário o corte, mas aumentar a arrecadação como? Nossos bolsos estão exauridos. Não há de onde mais tirar dinheiro para saciar a fome do senhor Levy.
A malandragem do governo vem de longa data. Aos poucos, tudo o que seria responsabilidade do governo federal passou para estados e municípios. Devagar foram empurrando goela abaixo dos prefeitos mais despesas. Nessa leva foram as verbas para a Saúde, cada ano menores, a Merenda Escolar, o ensino, o trânsito e mais recentemente, a iluminação pública.
A pergunta mais insistente de todos é aquela: para onde vai tanto dinheiro? Por que o governo gasta tanto com propaganda na TV? Governar bem é só obrigação, nada mais. Não precisa alardear.
Hoje são as prefeituras que bancam boa parte dos serviços. Hospitais públicos são mantidos com dinheiro das prefeituras – o que o SUS manda mal dá para comprar esparadrapo. Escolas municipalizadas, que eram do Estado, agora são despesa para as prefeituras. A Segurança, aos poucos, está sendo empurrada também para as cidades.
Não é o governo do PT que está fazendo sozinho tudo isso. A prática é antiga, desde os tempos de Sarney (PMDB), passando pelo fatídico PRN de Collor e pelo PSDB de Fernando Henrique. Sempre há uma ideia nova, de jerico, para o governo federal gastar menos, trabalhar menos e arrecadar mais.
Torna cômoda a situação política também. Quando algo não vai bem, ou dá errado, o povo que reclame com o prefeito de sua cidade. Hospital não atende? Culpa do prefeito. Merenda está ruim? Culpa do prefeito.
E enquanto tudo isso acontece, o governo federal faz o papel de senhor feudal. Bem usurário por sinal. Coloca um monte de gente para fiscalizar se todo mundo está pagando direitinho. Outro monte de gente para inventar normas. E só recebe. Sugestão ao senhor Levy: fecha o Congresso que a economia será enorme, e ninguém notará diferença.
Foto: Levy Tesoura ou Leão esfomeado? | DIVULGAÇÃO





