As duas últimas sessões da Câmara tiveram protestos e manifestações que estão tomando um rumo perigoso. Na semana passada, a platéria estava dividida – de um lado os evangélicos, convocados por pastores, que protestaram contra as atitudes do grupo LGBT e que eram contra a inclusão da Parada Gay no calendário oficial de Jundiaí.
Do outro lado, representantes da comunidade LGBT, que defendiam seus direitos e protestavam contra a homofobia. Na sessão de terça havia dois tipos de público – um de funcionários públicos (que teriam o aumento de salários votado logo depois) e outro de religiosos.
O problema da última sessão: os religiosos, convocados por padres no fim de semana durante as missas, chegaram às 17h30 e ocuparam quase todos os lugares. O problema das duas últimas sessões: está havendo falta de respeito e excesso de radicalismo em ambos os lados.
Os religiosos foram à sessão de terça para protestar contra a votação do Plano Municipal de Educação, que teria em seu texto a questão da ideologia de gênero. Erraram feito. No Plano, não há esse ponto a ser discutido, e a votação será somente na próxima terça.
O problema maior é que não há respeito. Na semana passada, os grupos antagônicos não deixavam ninguém falar – e o princípio da democracia é respeitar a opinião alheia. Na sessão de terça passada, a pressão religiosa pouco adiantaria – não é a platéia que vota e sim aqueles em quem a platéia escolheu na eleição de 2012.
Pra piorar, o uso da Tribuna Livre está sendo desvirtuado. Na sessão de terça, por exemplo, possíveis candidatos a vereador aproveitaram para fazer dela um palanque. O gosto por aparecer na TV, de ter público – e dele até receber vaia devido às bobagens ditas no microfone – superou o bom senso.





