Tornou-se moda, entre alguns empresários da região, colocar publicidade em programas de televisão, por entenderem ser a TV o melhor meio de comunicação do mundo. E é. Não se nega o poder da TV, mas depende como. Publicidade feita durante a madrugada, por exemplo, não tem o efeito esperado. Em programas de péssimo gosto, sem conteúdo, idem.
Esses empresários não medem audiência – e nem há como – e levam em conta somente a vaidade de serem entrevistados sempre que aparecem em festas ou eventos, na condição de patrocinadores, e mesmo sabendo que poucos virão aquilo.
Como particulares, têm todo o direito de enfiarem seu dinheiro onde quiserem. É um problema único e exclusivo de suas empresas e seus supostos ou pretensos marqueteiros. Outros, menos afortunados, despejam sua publicidade em panfletos mal feitos, a começar pelo verso desses panfletos, sempre em branco. Futuros rascunhos para bares e padarias.
Menos afortunados também apelam para os irregulares carros de som – e aí não se sabe o que é pior: a voz do locutor, a música de fundo, ou o conteúdo de tal publicidade. Que nem se pode considerar publicidade – no máximo, “reclame”.
Até aí é problema de quem não enxerga a realidade. O problema maior é quando esses mesmos empresários querem ver publicadas fotos de filhos ou esposas que aniversariam, de eventos que promovem. Então procuram jornais.
Quando aconselhados a procurar os meios que patrocinam – televisão, panfletos, rádios piratas, carros de som – para “fazer valer” sua condição de patrocinadores, se queixam: a televisão não faz isso, tal programa não pode colocar isso, no carro de som não tem fotografia… e por aí vão as desculpas.
No mundo dos negócios – e jornal é um negócio – há uma coisa chamada reciprocidade. De nada adianta, por exemplo, o empresário ter assessoria de imprensa que entope jornais com notícias diárias, com promoções de outro mundo. Jornais não vivem de ideais, mas não vendem sua consciência.
Alguns, ignorantes ao extremo, quando pedem tais favores, usam como argumento que jornal é de utilidade pública. Quase isso. Tem o papel de informar e esclarecer a comunidade por onde circula, mas não é casa de caridade disposta a favorecer negócios alheios sem qualquer tipo de compensação.
Mas, diz um antigo ditado, os iguais se atraem. Quem coloca o nome de sua empresa, seu próprio nome, num lugar de gosto duvidoso, seja rádio pirata, panfleto, programa de televisão, está apenas cumprindo o dito popular. Nada a lamentar.





