Agosto era para os antigos o mês de cachorro louco. Era. Nos últimos 60 anos tornou-se um mês marcado por complicações políticas e tragédias. Uma temporada inaugurada por Getúlio Vargas, então presidente, no dia 24 de agosto de 1954 – Getúlio praticou o suicídio, segundo sua carta de despedida, deixando a vida para entrar para a história.
Sete anos depois, no dia em que os militares comemoravam Duque de Caxias (25), o então presidente Jânio Quadros renunciou. Até hoje os motivos não estão claros. Jânio abriu a crise que colocou o vice, João Goulart, na presidência na marra e permitiu aos militares a intervenção em 1964, que durou 20 anos.
Jânio não tinha apoio de ninguém. Sua renúncia era de brincadeira. Ele queria que todos pedissem para ficar. Não deu certo seu blefe, e essa é a melhor versão. Em 1969, outro presidente, o general Costa e Silva, precisou se afastar no mês de agosto por causa de doença. Um ano antes, havia assinado o AI-5- uma aberração jurídica – e pretendia revogá-lo em setembro de 1969. Não teve tempo para isso.
Em 1976, no dia 22 de agosto, o ex-presidente Juscelino Kubitscschek morreu num acidente de carro na Via Dutra. Até hoje há suspeitas que o acidente foi arranjado – Juscelino tornara-se um perigo para os governos militares. Nove anos depois, no dia 13 de agosto, morreu Miguel Arraes, um símbolo da resistência à ditadura e líder nordestino inconteste.
No dia 13 de agosto de 2014, morreu o neto de Arraes, o ex-governador de Pernambuco e candidato à presidência Eduardo Campos. Hoje está provado que a causa do acidente foi erro do piloto, mas durante meses permaneceu a suspeita que era outro arranjo – Campos já incomodava bastante.
Agora, em 2015, nem é preciso explicar o que está acontecendo no País. Há 13 pedidos de impeachment da presidente; há manifestações marcadas para o dia 16; a presidente já disse que não renuncia (e alguém perguntou?); o juiz Sérgio Moro está prendendo todo mundo envolvido no Petrolão, e ainda nem começaram as investigações sobre o BNDES.
Entre o povo, há várias perguntas ainda não respondidas. Dilma chega ao fim do mês como presidente? Quem mais vai para a cadeia? No que vai dar o BNDES? Agosto promete, e se antes os cachorros ficavam loucos, agora é a classe política que está babando.





