Desde que o Contran saiu com a história de colocar cadeirinha nas peruas escolares instalou-se uma guerra – de um lado os perueiros, de outro, os defensores das cadeirinhas. A coisa é bem mais complicada do que parece, e se o Contran não rever sua posição, crianças com menos de 7 anos e meio não terão vez nas peruas.
O começo: O Contran exige, pela Resolução 277, que os carros particulares transportem crianças de até 7 anos e meio em cadeirinhas, que devem ser presas em cintos de segurança de três pontos. Só ficaram isentos os taxis, os ônibus urbanos, os carros de aluguel e as peruas escolares.
A encrenca: Uma mulher que teve problemas com transporte escolar foi se queixar com Celso Russomano, famoso por defender direitos do consumidor, em seu programa na TV Record. Russomano entrou em contato com o diretor do Contran, e – haja prestígio – logo saiu outra resolução, a 533.
Essa resolução obrigou todo transporte escolar, feito em carros de 3.500 quilos (todas as vans pesam isso), a ter cadeirinhas e bebê conforto. Problema: As vans têm cintos de três pontos para fixar cadeirinhas somente nas laterais, insuficientes para as crianças.
Como os perueiros fizeram muito barulho, o Contran fez outra resolução – ou como se diz popularmente, fez e sentou em cima. A de número 541 obriga todos os transportadores escolares ao “uso de dispositivo adequado”.
Complicou o que já estava complicado. “Qual é o dispositivo adequado? Pergunta o presidente do sindicato dos perueiros, Moacir Biazim. Como se prende as cadeirinhas se não há cintos de três pontos? E como ficam os ônibus das prefeituras?”
Moacir garante que se isso for pra valer (é para entrar em vigor em fevereiro do ano que vem), todos os perueiros não vão mais levar crianças com menos de 7 anos e meio. “Infelizmente não vamos correr riscos, até porque não há como atender o que o Contran quer”, explica ele.
Ele diz ainda que em Jundiaí não tem havido acidentes com vans que tenham atingido crianças. “Há acidentes na região, mas com peruas clandestinas. Em Jundiaí não há transportadores clandestinos”- explica.
Jundiaí tem 400 perueiros, que passam por três vistorias por ano – uma do Inmetro e duas do Detran. Precisam ter tacógrafo, placa vermelha, CNH letra D, curso específico, alvará do Detran, licença da prefeitura e não ter antecedentes criminais. Para o ano que vem a prefeitura abriu 32 vagas.
Para colocar mais água no chopp, um deputado fez um projeto para padronizar a frota – aí sim vai arder: cada perueiro precisará comprar um micro-ônibus (custa 300 mil em média), que deverá ter elevador para cadeirantes e reservar quatro vagas para os mesmos cadeirantes. Detalhe: o Brasil tem somente três fabricantes desse tipo de veículo (Iveco, Marco Polo e Volare) – e o diretor de uma dessas fábricas é amicíssimo de gente importante em Brasília.




