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quinta-feira, 5 novembro, 2026

Editorial: Dia do professor ou do pipoqueiro?

Outubro é pródigo em comemorações. Descontando as datas tão importantes quanto a importância do sabão na composição da gasolina (criadas normalmente por deputados sem ter o que fazer), outubro terá o Dia da Criança no mesmo Dia da Padroeira e o Dia do Professor.
Cita-se os descontos às datas porque até a mandioca tem seu dia. Não só a mandioca, o milho também. Mais pródigos que outubro são os nobres deputados que criam essas asneiras para homenagear um pouco de tudo – temos até o Dia do Astronauta, o Dia do Telefone e o Dia do Silêncio.
Voltemos ao nosso outubro. O Dia do Professor é um dia para se pensar. E pensar muito. Basta ouvir uns minutos de conversa para concluir que estamos cercados de analfabetos. Basta tentar ler algum texto para ter certeza que sua autoria vem das profundezas da ignorância. Basta perguntar coisas simples e banais para entender que estudar não é exatamente uma virtude nos dias atuais.
O professor de hoje não é o mesmo de 40 ou 50 anos passados. É um profissional desmotivado pelos salários, pelo tratamento que alunos e seus pais lhe dão. É apenas mais um para os que governam e não entendem – ou fingem não entender – a importância de quem ensina.
Será que ninguém entende que sem professor não existiriam médicos, engenheiros, advogados e mesmo professores? E nem se leva em conta a formação específica, superior. Sem professor, ninguém saberia ler, escrever ou mesmo fazer contas.
Mas parece que não é bem isso que acontece. Diz-se no meio do magistério que o material escolar mais barato ainda é o professor. Escolas particulares fazem demissões periódicas, trocando professores em busca de mão de obra mais barata. No Estado, professores têm tratamento selvagem, sem qualquer reconhecimento.
Quando fazem greve, são anarquistas. Quando pedem reconhecimento, são prepotentes. Quando pedem respeito, não se colocam em seus lugares. Comumente, professores da rede estadual ouvem de pais anencéfalos que são eles que pagam seus salários, em forma de impostos, e, portanto, são seus patrões. E patrões mandam, alegam.
O 15 de outubro é um dia para se pensar. Certamente muitas crianças levarão presentes para seus professores. Embaladas pela inocência, sentir-se-ão cumpridoras do dever do reconhecimento. Mas um dia talvez entenderão que o pipoqueiro que fica em frente a escola ganha mais daquele que lhe abre um caminho na vida pela escrita, pelas contas e pela leitura. É de chorar.

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