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quarta-feira, 4 novembro, 2026

Editorial: Penetras e oportunistas

Quando alguém está num lugar sem ser chamado ou convidado, costuma-se rotulá-lo como penetra. E penetras não são ocasionais. Aparecem para aproveitar uma oportunidade. Os mais inocentes aparecem em festas – a oportunidade de encher a pança sem gastar, ou se regalar em bebidas fora do alcance de seus bolsos.
Outros buscam oportunidades para se promover e tirar vantagens. Políticos, principalmente. Se valem de qualquer coisa para assumir a paternidade de coisas boas, mesmo sabendo que não mexeram uma palha para tal. Esforçam-se para estar em fotografias e não dispensam um microfone. Fazem questão de dizer só algumas palavras, embora o discurso seja interminável.
Outros – a nata dos caras de pau – criam factóides para promover sua imagem. A máxima de criar dificuldades para vender facilidades. Muitos conseguem, pois há os que embarcam na conversa mentirosa, no inflamado libelo de defesa de princípios e instituições. Tudo balela, quase imperceptível ao cidadão comum.
Vivem de mentiras. Pregam uma coisa e na vida real são exatamente o contrário. Escrúpulos não existem quando a meta é chegar a um posto ou a um cargo. Não lhes faltam corriolas de aduladores, sempre prontos a endossar as palavras do amo e senhor. Aduladores que tratam de espalhar os feitos heróicos de quem lhes paga. Mesmo migalhas.
Difícil à plebe ignara separar o real do imaginário. Se mais compreensível fossem a todos as reais intenções de cada fato criado, certamente essa escória política já estaria banida, execrada. Não estaria sendo louvada e idolatrada como salvadores da pátria, não seria a solução para tudo.
Dom Quixote investia contra moinhos de vento porque tinha suas razões e acreditava ser herói. Mas era inocente, e dentro de sua inocência tinha o direito de viver suas aventuras. Os oportunistas de agora investem contra o bom senso e a razão. São penetras que invadem festas alheias para com isso colher benefícios, futuros votos, e a garantia de se perpetuar como parasitas do erário.
Não há como exterminá-los tão cedo. Como penetras e oportunistas, estão sempre em evidência, mesmo não chamados. Como parasitas, resistem o quanto podem às investidas do bom senso. Como escória, não se incomodam em assumir tal condição, desde que lhes traga vantagens. Qualquer semelhança com fatos da vida real não terá sido mera coincidência.

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