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terça-feira, 3 novembro, 2026

Psiquiatra lança segunda edição de diário do filho suicida

Obra agora traz pinturas do autor, que também na arte deixou sinais de que precisava de ajuda

Por que uma mãe que perdeu o filho por escolha própria, se suicidando, decide reviver essa dor repetindo a história incessantemente? “Diante do suicídio, calam-se as famílias, os médicos, a imprensa e a sociedade, que ainda banaliza a questão. Eu não posso ficar em silêncio”, responde a psiquiatra Maria Cristina De Stefano. No dia 23 ela lança a segunda edição do livro Suicídio: a epidemia calada, na livraria Saraiva, no Jundiaí Shopping, às 19h30.
A médica entrou para a estatística da Organização Mundial da Saúde (OMS) – que estima que 900 mil pessoas tenham se suicidado no mundo em 2012 – quando, naquele ano, seu próprio filho Felipe, de 34 anos, optou pela morte. “Não percebemos a gravidade dos sinais, até porque ele era muito independente e fechado em si mesmo. Só depois de ler os diários deixados por ele é que vimos o quanto estava mentalmente doente”, recorda.
A mesma percepção de que a decisão de Felipe foi motivada por grave doença mental, Maria Cristina deseja que seja compreendida por mais famílias, médicos e pela sociedade. “Ao terminar de ler os escritos, um ano depois da morte dele, procurei saber se havia valor literário no material, pois não poderia deixá-lo guardado para sempre dentro de uma gaveta. Tendo a confirmação de profissionais da área, investi na publicação do livro, um resumo dos três últimos anos de vida de Felipe”, explica.
A obra já rendeu frutos na questão da prevenção do suicídio. “Em 2015, participei do Congresso Brasileiro de Psiquiatria, contando minha experiência pessoal e reforçando que é preciso quebrar o tabu do silêncio”, relembra. Ninguém precisa mais morrer de câncer, seja de mama ou de próstata, pelo fato de que matérias informativas são publicadas, exibidas em outdoor, pelo contrário, cria-se a cultura da prevenção. Se as pessoas ficarem atentas aos sinais que o suicida dá, podem ajudá-lo, encaminhando-o para tratamento. 90% dos casos podem ser evitados”, alerta.

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