No domingo passado, milhões foram às ruas, em todas as cidades, com o pretexto de protestar ou defender o governo. Como se previa, foi um passeio, um programa para a manhã de domingo, sem qualquer consequência e quase nada de seriedade. Boa parte dos que foram às ruas aproveitaram para fazer selfies, imediatamente postados em redes sociais.
Vamos e venhamos. Os protestos começaram em 2013 por causa de aumento em tarifas de ônibus. Vinte centavos. Atravessaram a Copa do Mundo, e continuaram no ano seguinte. Nunca se cogitou seu término. Foram até certo ponto aperfeiçoados – no domingo, houve até a dança, ensaiada por meio de vídeos fartamente espalhados em redes sociais.
Em todos os protestos, o único resultado foi o de novas promessas, como demitir um batalhão de gente, cortar ministérios, moralizar a administração pública. Nada disso aconteceu. Tudo está exatamente como estava. E o populacho nas ruas, com suas melopéias, fanopéias e logopéias. Seria mais prático transformar as manhãs de domingo num programa. Em vez de shopping, andar pelas avenidas com bandeiras, faixas e cartazes. Carro de som para animar a plebe vai bem.
O que está acontecendo não quer dizer nada. Se alguém quisesse mesmo derrubar governo, mudar o status quo, teria tomado outras atitudes. Fidel Castro, quando quis colocar pra correr Fulgêncio Batista, em 1959, organizou sua turminha em Sierra Maestra e de lá marchou para Havana. Os militares brasileiros, em mais de uma ocasião (a mais recente em 1964) tomaram atitudes drásticas, mas tomaram.
Não significa que estejamos defendendo esse ou aquele partido ou grupo. Apenas observamos essa farra que dá em nada. Uma ópera bufa, nada mais. Uma oportunidade de novos selfies. Os que estão no poder devem estar rindo de tudo isso. Continuarão com seus discursos batidos, afirmando que isso é próprio da democracia.
Democracia? Onde existe isso? Os governos fazem enquete entre os soldados, perguntando quem quer ir à guerra quando a declaram? Algum trabalhador foi consultado para concordar ou não com o desconto do INSS no seu holerite? Algum governo oferece caminhos alternativos para quem não quer pagar pedágio? E por que nos obrigam votar?
É uma situação típica de ditadura, de prepotência, de mando. Uma ditadura de rótulo bonito, mas que a essência é a mesma. Protestar, por farra ou com seriedade, só vai nos levar a outra escolha. A de qual ditadura preferimos. Mas como está na moda, como se tornou programa, evento social, continuemos nas ruas. Quem sabe cai o preço da cebola.





