Área recebeu lixo orgânico durante anos, forma gás metano, que precisa ser constantemente controlado
Durante mais de 20 anos, uma área de Várzea Paulista, no Jardim São Paulo, serviu de aterro sanitário para algumas cidades da região. Lá era depositado todo o lixo recolhido nessas cidade (só de Jundiaí 400 toneladas por dia). Há dez anos o aterro foi fechado, devido a um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) válido por 20 anos, e a Prefeitura construiu em cima dele o Parque das Orquídeas, com quadras esportivas, e cercou a área.
O problema parecia resolvido, mas constantemente os moradores vizinhos reclamavam do mau cheiro e da invasão de ratos. Outro problema, e bem mais grave: o lixo orgânico produz o gás metano, que precisa ser monitorado. Se contido em baixo da terra pode explodir, com consequências imprevisíveis.
O consórcio do aterro contratou então uma empresa, a Gomes Lourenço, para cuidar disso. A empresa contratou funcionários (50 aproximadamente). Acontece que a Prefeitura de Várzea não vem depositando sua parte na conta para pagar a Gomes Lourenço. A dívida atual da Prefeitura nessa história é de R$ 2 milhões.
Com esse desacerto de caixa, constantemente os trabalhadores ficam sem receber salários. Pior – agora estão sem receber parte de fevereiro, o total de março e ainda não têm, depositados o Fundo de Garantia, além de haver ainda férias atrasadas.
Essa situação foi levada pelo advogado Douglas Mondo e pelo Sindicato da Construção Civil ao Ministério Público do Trabalho, e duas vezes ao Ministério Público de Várzea Paulista. Nesse tempo também foram feitas três mesas redondas para resolver o problema.
Entendendo que estavam trabalhando em condições análogas à escravidão, os trabalhadores entraram em greve – e continuam assim. Reclamam que em suas casas faltam alimentos, que as contas estão atrasadas, e que não conseguem sobreviver sem os salários.
No último final de semana quase acontece uma tragédia. Os trabalhadores precisaram intervir no aterro para controlar um incêndio. Mesmo sem receber salários. Se esse incêndio não tivesse sido controlado, provavelmente teria ocorrido a explosão.
O atual presidente do consórcio (CIAS – Consórcio Intermunicipal do Aterro Sanitário) é o prefeito de Várzea Juvenal Rossi. O consórcio é formado pelas cidades de Jundiaí, Cajamar, Campo Limpo, Várzea Paulista, Louveira e Vinhedo.





