Mais de uma vez abordamos o assunto, mas a ele voltamos porque tudo continua como antes. Em alguns casos, piorou. São os terminais de ônibus urbanos, invadidos por ambulantes, que agem impunemente. Incomodam passageiros, atrapalham na hora de embarque e desembarque, e os fiscais a tudo assistem.
Três terminais estão nesse estado crítico – o da Vila Arens, o da Hortolândia e o do Cecap. Não que os demais sejam exemplos, mas estão menos ruim. O do Eloy Chaves, por exemplo, se tornou banheiro de pombas.
Uma página de Facebook, a Situ da Depressão, fez até brincadeira classificando os terminais nos quesitos conservação, segurança e até variedade de produtos à venda. Vila Arens tirou dez nesse último ítem, mas Hortolândia não fez feio – ficou com 7,8.
A página Situ da Depressão é uma brincadeira. Mas publica brincadeiras que no fundo são puras verdades. Há até fotos de passageiro sendo atacado por pombos, ávidos por comer o salgadinho vendido ilegalmente no terminal. Há fotos de pombos saciando a sede no bebedouro destinado aos usuários.
Acontece que a conservação, a manutenção e a limpeza dos terminais não são de responsabilidade da Prefeitura, e sim das empresas de ônibus. As alegações para a balbúrdia são muitas. Há quem diga que não se enxota ambulantes porque eles, os ambulantes, ameaçam fisicamente quem ousa atrapalhar seus negócios.
O entorno dos terminais também é algo para se pensar. Embaixo da passarela do terminal Hortolândia, por exemplo, sempre dormem andarilhos e drogados, que, na falta do que fazer, cometem pequenos furtos nas redondezas e intimam os usuários a lhes dar dinheiro. No terminal Cecap, andarilhos e drogados são menos frequentes.
Há ainda a questão dos banheiros, sempre sujos e mal cheirosos. E mal usados também. Nem todos que os frequentam o fazem pelas necessidades básicas. Mais de uma vez casais foram surpreendidos em arroubos amorosos dentro deles. Casais modernos, explique-se: ele com ele, ela com ela…
Talvez seja isso parte da explicação para o fato de tanta gente fugir do transporte público, lotando as ruas com carros particulares. Para as empresas de ônibus, que deveriam zelar pelos terminais, fica mais cômodo ignorar as mazelas e lucrativo superlotar seus carros. O povo? Ora, o povo é só um detalhe.





