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sábado, 31 outubro, 2026

Editorial: A fuga das escolas

As escolas particulares estão se queixando que seus alunos estão fugindo. Não, não estão parando de estudar. Estão se mudando para escolas públicas porque as mensalidades chegaram a um ponto insuportável, impossíveis de serem pagas. E escolas particulares fazem contratos, que precisam sem cumpridos.
O MEC divulgou recentemente os resultados do censo escolar do ano passado, onde constam quase 39 milhões de alunos nas escolas públicas. Neste ano o número deverá ser maior. Os números do MEC abrangem gente nas creches, pré-escolas, ensinos fundamental e médio, educação de jovens e adultos e educação especial.
Há um lado bom em tudo isso – tem gente estudando, ou pelo menos fingindo que está. Há o lado malvado, das classes superlotadas, da falta de professores e da constante ameaça de greve dos professores de ensino público.
Embora se queixem, as escolas particulares continuam ganhando muito, e não precisa ir muito longe para fazer as contas. Uma escola com cinco mil alunos, por exemplo, que cobre em média 800 reais de mensalidade, fatura quatro milhões por mês. Não gasta nem um milhão com professores.
O outro lado, mais perverso, é a acomodação de alunos remanescentes de classes que são fechadas – são colocados em outras, diluindo o problema, mas superlotando todas. O custo fica menor, com a dispensa de professores, e o lucro maior, com mais alunos por classe.
Tanto nas públicas quanto nas particulares é inevitável a queda na qualidade de ensino, já baseado em currículos capengas, com ítens inúteis e outros a desejar. Raríssimas são escolas que ensinam caligrafia. Raras também aquelas que vão a fundo em disciplinas como História Geral ou História do Brasil. Ensina-se o básico. Quem quiser saber que procure no Google.
Professores mais experientes lembram com saudade os tempos em que tinham autoridade sobre a classe, que podiam chamar alunos à atenção, que podiam mandar bilhetes mais enérgicos aos seus pais. Lembram do tempo em que diretores tinham atitudes firmes e disciplinares – hoje o aluno é um cliente, que papai paga a mensalidade, e como tal deve ser tratado. O cliente sempre tem razão.
Dentro de algum tempo teremos mais gente com títulos, porém sem saber o que fazer na prática. Teremos gente que jamais saberá o processo de colonização do Brasil, ou as consequências das guerras pelo mundo. Como dizia um professor, o mundo ainda vai acabar em burrice.

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