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Jundiaí
sábado, 31 outubro, 2026

Editorial: Perda de identidade

O Eloy Chaves está perdendo sua identidade. Não só ele. Jundiaí mudou muito de 30 anos para cá. Foi-se o tempo em que todos se conheciam, que as crianças eram identificadas pelo apelido ou pelo é filho de fulano. A razão disso é o grande número de pessoas que se mudaram para a região, atraído pelo boom imobiliário, pela qualidade de vida apregoada aos quatro cantos, e pelas hipotéticas facilidades aqui existentes.
Num ponto é bom. Significa desenvolvimento, crescimento, mais possibilidades de negócios. Noutro ponto é péssimo. O progresso tem um preço, que hoje todos nós pagamos, e bem caro. Acabou o sossego. Já enfrentamos congestionamentos no trânsito dentro do bairro. Já enfrentamos filas. E só os mais antigos ainda se conhecem.
O preço do progresso é traduzido pelo caos em nossa rodovia, a Dom Gabriel, e em nossas avenidas, principalmente a Antonio Pincinato. Em ambas as vias é uma aventura transitar em certos horários. Nos demais, o risco existe pela pressa e pela imprudência. Mas não deixa de ser risco.
Mudaram os costumes. Acabaram-se as conversas entre vizinhos, maldosamente chamadas de fofocas. Medo de assaltos, medo de violência. Coisas que aos poucos estão sendo banalizadas. Não só no bairro, mas em toda a cidade.
Talvez estejamos próximos do limite, da saturação. Talvez logo sejamos iguais aos bairros paulistanos amaldiçoados pelo trânsito caótico, pela onda de violência, pela intolerância aos mínimos incidentes. Também faz parte do preço cobrado pelo progresso.
Mais gente, mais negócios, mas o tamanho das tubulações de esgoto continua o mesmo; o tamanho das ruas é o mesmo da época da fundação do bairro. Surgiram escolas, creches, lojas, restaurantes; surgiram condomínios, mas a estrutura não acompanhou esse crescimento.
Não há como evitar, mas podemos melhorar. Ou tornar tudo menos ruim. Que ninguém espere a concessionária da rodovia gastar dinheiro para aumentar suas pistas. O trânsito vai continuar engarrafado dia e noite. Talvez até de madrugada. Empresas não deixarão de se instalar perto da rodovia, nem deixarão de colocar pra rodar seus caminhões, cada vez maiores com motoristas cada vez mais perigosos.
O que era a lagoa do Eloy tornou-se um parque, com regras e horários. A lagoa era mais democrática, permitia a pesca e o nado. O que hoje é um campinho de futebol logo será um centro esportivo, também com regras. Enfim, o mundo mudou. O Eloy não seria diferente.

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