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Jundiaí

Família Donatti cuida de bicicletas há três gerações

Oficina foi aberta em 1943, perto da Sifco, por Waldemar Donatti, o Tico. Hoje os netos tocam o negócio

Em 1943 as coisas eram completamente diferentes. Jundiaí tinha poucos carros, e mesmo assim nem todos circulavam. Por falta de gasolina – o mundo vivia a Segunda Guerra e o Brasil estava prestes a nela entrar – o meio de transporte predominante nas cidades era a bicicleta. E como bicicleta um dia ou outro quebra, Waldemar Donatti abriu sua oficina para consertos

Ficava perto da Sifco (na época Companhia Mecânica Agrícola) na rua Tibiriçá, uma travessa da avenida São Paulo. Waldemar, conhecidíssimo como Tico, tinha o irmão Alcides como sócio. Alcides deixou o negócio pouco tempo depois – já trabalhava na Fábrica Japi. Com o negócio crescendo, Tico mudou a oficina para o Largo da Feira (praça Quintino Bocaiúva), onde ficou até 1955.

No ano seguinte começou a mudança para o número 72 da avenida Olavo Guimarães. Construiu prédio no número 93, onde está até hoje. Bem diferente dos tempos atuais. A pequena oficina se tornou uma rede (são seis), que além de consertar vende bicicletas de várias marcas, inclusive as suas quatro próprias.

Tico foi casado com Julieta, com quem teve três filhos – Rose, Reges e Rosângela. Desde cedo Reges aprendeu consertar bicicletas. “Ainda criança a gente já colocava a mão na graxa, conta ele, porque meu pai fazia questão que todo mundo trabalhasse”.

Na Vila Arens, o velho Tico somou amizades. Para a molecada da época era o fornecedor de câmaras de ar usadas na fabricação de estilingues. Quando estava de bom humor, dava a borracha já cortada, na medida. Para a mesma molecada, emprestava as bombas de ar para encher as antigas bolas de capotão. Ou que fazia das câmaras bóias para nadar no rio Guapeva, no trecho conhecido como rio Mazali, onde hoje está o clube Juventus.

“Quem tem mais de 60 anos e morou nessa região já passou alguma vez pela bicicletaria do Tico, meu pai, diz Reges. Ele conhecida todo mundo”.  Nos sábados, dava manutenção à bicicleta do padre coadjutor da paróquia, Hugo. “Ele tinha uma bicicleta Philips preta, e todos os sábados a gente cuidava dela” conta Reges.

Com o tempo, Reges passou a jogar futebol. Como todos, começou por brincadeira. Acabou jogando no Paulista e no Saad profissionalmente, como lateral esquerdo. Jogou também no futebol amador pelo Comercial, pelo Grenal e pela Portuguesinha. Colecionou títulos, incluindo um campeonato estadual. Jogou futebol de salão no Unidos, e um dia a idade o obrigou parar.

Casou-se num domingo, final de tarde. Trabalhou até o meio dia na bicicletaria, o que valeu bronca da hoje esposa, Rose. Tinha um motivo: o pai lhe deu como presente de casamento a féria do domingo. Reges assumiu os negócios de vez quando Tico não pode mais trabalhar.

Seus três filhos formam a terceira geração do negócio – Vanessa, Reges Filho e Lucas. Todos começaram trabalhar cedo. “Eles começaram com oito anos, conta ele, e hoje administram o negócio, junto comigo”. O filho do meio, Reges, é o presidente da Associação Comercial e Empresarial de Jundiaí (ACE). O cargo exige uso de terno e gravata, mas também enfiou muita graxa na mão.

As mudanças foram acompanhadas pela família. “Antes, como a bicicleta era meio de transporte, era mais simples, havia menos tecnologia – diz ele. Hoje a bicicleta é mais para lazer, e já existe modelo de trinta marchas, coisa impensável há vinte ou trinta anos”.

Reges, o pai, acompanhou de perto a transformação da Vila Arens. “Antigamente todo mundo se conhecia, havia mais respeito – conta ele. Mas comercialmente hoje é melhor, o bairro é quase uma cidade”. O lugar realmente mudou, ficou quase uma extensão do Centro, a ponto de ganhar a segunda sub sede da ACE, presidida pelo Reges Filho.

A pequena oficina do Tico deixou de ser bicicletaria também para se tornar Tico´s Bike – coisas da modernidade. Do solitário Tico que consertava bicicletas até tarde da noite, nada ficou – agora são mais de 100 funcionários, alguns prestes a se aposentar depois de décadas na empresa.

Não faltam planos para expandir. “Se tudo correr bem deveremos ter logo 10 ou 12 lojas”, diz Reges, o pai. E a quarta geração já deu o ar da graça na empresa – a neta de Reges, bisneta do velho Tico, Eduarda, já aparece, dá palpites e faz seu ambiente. “Ela já tem vocação para o comércio”, comenta o avô Reges, orgulhoso.

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