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domingo, 1 novembro, 2026

Editorial: Quem controla a qualidade?

Alguém já observou a qualidade da manteiga colocada naquele pãozinho quentinho, que acabou de sair do forno? Na cor do azeite de oliva servido na pizaria ou restaurante? Alguém já teve curiosidade de saber quem são os fornecedores daquele restaurante que o garçom é camarada? Se não, melhor prestar mais atenção.
Tem gente servindo coxão como se fosse picanha, e cobrando por isso. Em alguns lugares, a fraude é latente. Um vidro de azeite Galo, por exemplo, reconhecidamente de boa procedência, não está mais com o bico original. Há um outro em seu lugar, e dentro, um óleo vagabundo de uma marca qualquer.
A Vigilância Sanitária de Alimentos exige uma série de procedimentos, nem sempre observados. Mas ninguém impõe uma qualidade mínima. Cabe ao cliente ser o fiscal dessa qualidade, não frequentando lugares onde a gambiarra é mais forte que a culinária. Comenta-se que, se alguém acompanhar a preparação de alguns pratos passará a viver de água, tamanha a nojeira e a falta de escrúpulos no proceder.
Deixando exageros e comentários de lado, uma boa maneira de fiscalizar essa gente é acompanhar as entregas. Nem precisa estar perto. Basta observar a chegada de mercadorias. Aí a decepção pode ser grande – o descarregamento de óleo sem qualquer marca, em galões; a entrega de carnes vindas sabe-se lá de onde; os pacotes de arroz e feijão de pouca qualidade.
Até aí, frequentar ou não lugar assim é questão de escolha – e sempre continuará sendo. Mas o que se cobra pelo prato é como se tudo fosse de primeiríssima qualidade. Até vodca Absolut tem gosto de Smirnoff; até Smirnoff tem gosto de Balalaika. Tudo em busca do lucro.
Em alguns lugares, a porcaria vendida como artigo de luxo chega ao absurdo. Num determinado lugar, por exemplo, oferece-se caipirinha de vodca Smirnoff. Custa R$ 20 cada. Mas a caipirinha é feita com vodca barata, aquela de R$ 8 o litro. Para mascarar o gosto e render mais, gêlo à vontade.
Um almoço ou jantar num lugar desonesto pode sair mais caro do que se imagina. Será que a alface, o almeirão, a rúcula, o tomate, foram bem lavados? Será que o azeite a ser usado no tempero é mesmo o indicado no rótulo da garrafa? Além do preço exorbitante que lhe será cobrado, melhor ter um bom plano de saúde (outra roubalheira).
Tempo bom era do boteco que tinha ovo azul, sardinha enrolada na cebola em conserva e a bomba calórica do torresmo, chamado coscorão. Pelo menos todos sabiam o que estavam comendo. Hoje dá vontade de vomitar.

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