Não deu certo o projeto Novo Paulista; time está rebaixado para a 3ª divisão e fica parado neste ano
A história do Paulista Futebol Clube pode ter chegado ao fim. No último domingo foi jogada a pá de cal e sepultada qualquer esperança – o time empatou num feio e ridículo zero a zero e está rebaixado para a terceira divisão do Campeonato Paulista. Como não há nada mais a fazer, o resto do ano o time estará inativo.
Na primeira divisão, a elite, já é difícil se manter, na segunda, mais difícil, na terceira, impossível. Faltaram patrocinadores na primeira divisão, quando o Paulista tinha mais visibilidade, era notícia, aparecia na TV. Na terceira, no máximo será notícia nos jornais locais. Quando sobrar espaço.
Em dezembro do ano passado, o Jundiaí Notícias publicou entrevista com Luiz Roberto Raymundo, o Pitico, um dos diretores do Paulista, onde surgiu o alerta: sem dinheiro, o Paulista poderia pedir licença da Federação. E profetizava: se não aparecesse uma solução, o clube fecharia suas portas.
Não houve solução. Na realidade, houve sim, mas capengas e inconsistentes. O grupo Novo Paulista não conseguiu sensibilizar o empresariado local. O programa sócio-torcedor foi fiasco. E, como num passe de mágina apareceu um suposto e imaginário grupo de investidores internacional que levaria o Paulista aos píncaros da glória.
Tudo balela. O grupo mal passou pelo Paulista. Foi uma espécie de boa tarde e adeus. Os problemas do Banco Fator, que por aqui desembarcou quando inventou-se o projeto do Campus Pelé, continuaram. A penúria aumentou, e mesmo assim, o Paulista resolveu disputar a série A-2, a segunda divisão.
A situação está tão crítica que no último jogo em Jundiaí a diretoria fez promoção de ingressos para atrair torcedores: R$ 10 mais um quilo de alimento. Não era nada filantrópico. O alimento era para abastecer a cozinha do Paulista – caso contrário os jogadores passariam fome. Sempre reclamaram os diretores que o torcedor não prestigia.
Têm razão. Todo mundo defende, briga, discute o Paulista, mas em dia de jogos aparece meia dúzia de gatos pingados. Reclama-se que a Prefeitura não ajuda. Nem deve ajudar. A cidade tem outras prioridades, outros problemas a serem resolvidos. Não será o dinheiro público que vai salvar um clube de futebol, 100% particular.
Assim, aos poucos, vai minguando uma história de 107 anos, iniciada pelos ferroviários da antiga Cia. Paulista de Estradas de Ferro. Ficam para trás os períodos de glória, como os de 1968, 1984 e 2005. Como disse Pitico em dezembro, pode passear o cadeado. Que o Paulista descanse em paz. Amém.





