A pouco mais de quatro meses das eleições já pipocam pré-candidatos em todos os lugares. Prés de todos os tipos, com propostas coerentes ou não, absurdas ou factíveis, empíricas ou reais; prés com solução para tudo e para todos. Dentre os prés, algumas velhas figuras da política que ainda não perceberam que chegou a hora de parar, de aposentar, de esquecer.
Alguns já tiveram seus mandatos eletivos num passado não muito distante. Agora tentam voltar a tê-los. Dizem que é para ajudar a cidade, para dar sua parcela de colaboração, para levar adiante projetos não realizados. Ópera bufa – na realidade não conseguem ficar longe do poder; não conseguem viver sem as mordomias e as delícias que um mandato proporciona.
Alguns desses prés que querem voltar já tiveram passagens folclóricas pelo poder. Produziram risos e histórias engraçadas, nada mais. Não deram à cidade a colaboração que diziam querer dar em suas épocas. Prometeram, não cumpriram, e agora novamente prometem.
Há limite para tudo na vida. Tudo. Mulher passada dos cinquenta usando mini-saia, por mais bonitas que sejam suas pernas, é uma mulher sem noção. Homem passado dos 50, barrigudo, com camiseta machão, não é atleta – é ridículo. E não adianta dizer que a idade está na cabeça – o corpo desmente.
Políticos, ou pretensos políticos, também precisam ser assim. Saber a hora de colocar o pijama e cuidar dos netos. De deixar de abrir a boca para dar opinião sobre o que não sabem. De dar lugar a gente mais nova, com novas idéias, com disposição, e, principalmente, sem vícios.
Reclama-se da qualidade da Câmara dos Vereadores. Há razão, em parte. Há bons vereadores, mas outros que deixam a desejar. Mas é o povo que os escolhe. Não chegam lá por acaso, por decreto, por vontade própria – são escolhidos, e refletem o que é a população. São como um extrato dessa população.
Se o povo escolhe mal é outra história. Cabe porém a esses prés, da era dos dinossauros, não incomodar o eleitor, não se aventurar mais e não correr o risco de serem eleitos. Sim, sempre há esse risco, em nome da experiência, não dos vícios; em nome do conhecimento, não das práticas improváveis.
A vida é um constante evoluir. Tudo muda com o tempo. Sempre há novas idéias e objetivos. Não fosse isso seríamos dominados pelos dinossauros, enviaríamos sinais de fumaça e estaríamos pensando como inventar a roda. Não precisamos ressurgir alguém das cavernas. Ou o povo acorda, ou então sofre mais um pouco. Se bem que haja quem gosta.





