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quinta-feira, 29 outubro, 2026

Editorial: Estupro é inconcebível, mas historinha também

Chocou o país e parte do mundo a notícia divulgada no fim de semana sobre um estupro coletivo que teria acontecido num dos morros cariocas – o da jovem de 16 anos que teria sido violentada por 33 homens. Não se trata de defender os marmanjos, nem de atribuir a culpa do fato à mocinha. Mas é uma história mal contada.
Segundo o laudo do médico legista, não havia sinais de violência no corpo da dita cuja. Segundo os marmanjos, ela quis. Pior, queria mais – ela teria dito que tinha como meta chegar aos 50 naquela noite. A história da vítima é confusa, mas se levada a sério pode enfiar na cadeia gente que embarcou de bobeira nessa aventura.
Casos de falsas queixas do tipo (não com 33 bem entendido) são mais comuns do que se imagina. Muitas vezes por vingança. Há muita mulher que aproveita sua suposta fragilidade para complicar a vida de alguém. E há também o inverso dessa história: calcula-se que somente 35% dos casos de estupro cheguem às delegacias de Polícia.
Num mundo de hoje não dá para conviver com esse tipo de coisa, sob qualquer pretexto. O estupro é considerado o ápice de uma violência contra a mulher. E num mundo de hoje, o que não falta é oferta de sexo, de forma profissional ou amadora.
A cada caso de maior repercussão aparecem pessoas – principalmente políticos oportunistas – sugerindo medidas mais drásticas. Dias depois o assunto cai no esquecimento e tudo continua com o mesmo status quo. Ninguém tem coragem de encarar o problema e propor solução de fato.
Os mais radicais exigem a castração do estuprador, depois de provada sua culpa. Querem a castração de fato – num universo machista não existe castigo pior. Outros defendem a castração química. O que é aceitável ou não deixa de importar. Pessoas anormais, que tomam uma mulher à força, ameaçam e a obrigam a fazer sexo não merecem, não podem e nem devem ser motivo de compaixão.
Não é questão psicológica, psiquiatra ou coisa parecida. É questão de índole, de achar que pode tudo por causa de um físico avantajado ou de uma arma. Mas enquanto houver gente pregando a tolerância, tentando explicar o óbvio, essa situação vai se repetir não se sabe quantas vezes e por quanto tempo.
Os mais ardorosos defensores dos direitos dos manos justificam que isso é insanidade. Não é. Estupradores não rasgam dinheiro, nem praticam seus atos em países onde a vingança da família é vista como algo legítimo pelos governos. A história da mocinha carioca será apurada. Se houve mesmo estupro, a sociedade paga com prazer o serviço do carrasco. Tamanha quantidade de castrações deve sair com desconto.

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