publicidadespot_img
17 C
Jundiaí
quarta-feira, 28 outubro, 2026

Editorial: Fiador pode desaparecer

Uma das maiores dores de cabeça na hora de alugar um imóvel é o fiador. Para o inquilino, constrangido em pedir que alguém garanta que vá pagar o aluguel. Isso pode acabar – há um projeto andando pelas modorrentas gavetas do Senado Federal que proíbe que imobiliárias e proprietários de imóveis exijam o fiador no contrato de aluguel.
O projeto permite que haja outras garantias, já em uso nos dias atuais. Não pela praticidade, mas pela ganância de algumas imobiliárias. Essas preferem o título de capitalização e o seguro-fiança. Não a troco de nada. Ganham boas comissões para isso. E então produzem um círculo vicioso.
Como exemplo: o sujeito tem uma casa e pretende alugá-la por X. A imobiliária avalia a casa e afirma que o aluguel precisa ser maior, que a casa vale mais. O dono da casa enche os olhos e aceita o argumento. Se essa imobiliária conseguir alugar pelo valor pretendido, todos ganham mais. O dono da casa, a imobiliária com a administração do imóvel e de quebra, com a comissão do seguro-fiança ou do título de capitalização.
Muitas vezes essa jogada é um tiro no pé. Como o valor alto pretendido fica acima do mercado, acima do que realmente vale, o imóvel fica fechado muito tempo. E nesse tempo o dono da casa fica pagando o IPTU, as contas mínimas de água e luz, sem receber aluguel e ainda vendo seu imóvel deteriorar.
Chega uma hora em que é procurado por algum interessado em fazer negócio diretamente. E aí as coisas se resolvem, muitas vezes com o depósito adiantado de alguns meses de aluguel. Isso está mais comum do que se imagina.
E essa prática – a de negócio direto com o dono da casa – é favorecida por mudanças na Lei do Inquilinato, que tornaram mais fácil o despejo em caso de não pagamento. Antes dava muita dor de cabeça, mas hoje, despejar alguém porque não pagou o aluguel é facílimo. Complica se for empresa com máquinas e equipamentos. Mas moradia não.
Se o projeto será aprovado ou não é outra história. Mas é uma tentativa de simplificar as coisas. Se bem que entre nós nem todas as leis valem. Há as leis que pegam e as que não pegam. Quer um exemplo?
No final dos anos 80, o então presidente José Sarney criou o Ministério da Desburocratização, e para ele nomeou Hélio Beltrão. Uma das medidas de Beltrão foi abolir a exigência da firma reconhecida em cartório. Nunca esse decreto foi revogado, mas alguém experimenta fazer algum negócio sem firma reconhecida pra ver se consegue. Os cartórios venceram.

Novo Dia
Novo Diahttps://novodia.digital/novodia
O Novo Dia Notícias é um dos maiores portais de conteúdo da região de Jundiaí. Faz parte do Grupo Novo Dia.

SUGESTÃO DE PAUTAS

ÚLTIMAS NOTÍCIAS

PUBLICIDADEspot_img
publicidadespot_img
publicidadespot_img

Deixe uma resposta