Ninguém pode reclamar de Brasilia. Quando os candangos chegaram para construí-la, reclamavam da falta de diversão. Imediatamente os empreiteiros providenciaram a ida de centenas de prostitutas para seus alojamentos para tornar menos solitária a vida dos candangos. Moral da história – Brasilia nasceu animadíssima.
De uns tempos para cá a agitação vem de empreiteiros que ajudaram a fraudar concorrências públicas, principalmente na Petrobras. Cada vez que algum deles resolve falar a cidade fica em polvorosa. Parte dessa animação vem de Curitiba, onde o juiz Sérgio Moro faz um estrago sem precedentes.
Presos, esses empreiteiros estão entregando os mentores da roubalheira. Sentem-se abandonados e praticamente condenados a passar bom tempo atrás das grades. Já que é assim – talvez pensem – vamos morrer abraçados. A velha máxima do roubei, mas não fiz isso sozinho. Ou, não vou pagar o pato sozinho. E falam como papagaios felizes em seus poleiros.
A Odebrecht, por exemplo, confirmou que deu 12 milhões de reais por fora para a campanha de reeleição de dona Dilma, a Rainha Louca. Outro delator, o ex-presidente da Transpetro, Sérgio Machado, contou que dois senadores – Renan Calheiros e Romero Jucá – e um ex-senador, José Sarney, dividiram a bolada de R$ 70 milhões roubados da Transpetro.
O ofendido Sarney remexeu-se no sarcófago e promete processar Sérgio Machado, a quem chama de monstro moral. Renan Calheiros – aquele que pagava pensão à amante com dinheiro do Senado – se diz inocente e injustiçado. Não é bem assim. O próprio Sérgio Machado, pra escapar de cadeia mais salgada está prometendo devolver pouco mais de um bilhão de reais. Sim, bilhão de reais.
Os ex-diretores da Petrobras presos em Curitiba estão cantando mais que passarinho depois da chuva.Talvez fosse melhor prender todos os empreiteiros e ex-diretores para, aos poucos, todos irem contando alguma coisa. É muita roubalheira para um país que alega não ter dinheiro para pagar aposentados, que paga mal professores e médicos, e que deputados defendem cortes em tudo, menos em seus salários e mordomias.
No fim de semana apareceu outra história, também escabrosa. Durante os governos de Lula e Dilma um banco, o do Nordeste, teve prejuízo de um trilhão e meio de reais. É um prejuízo planejado, conseguido à base de empréstimos fraudulentos, em desvios e propinas de tudo quanto é tipo.
Tempos bons os dos candangos. As noites de solidão tinham como lenitivo a companhia da mulherada de vida torta. E hoje são seus filhos que fazem desse país a latrina que vivemos. Tempos bons, animados despudoradamente nos alojamentos. E tempos assim não voltam mais…





