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sexta-feira, 23 outubro, 2026

Editorial: Bons modos não fazem mal

Pessoas que recebem público poderiam dar uma parcela de colaboração. Não, não é dinheiro nem imposto novo. Poderiam distribuir a parte desse público um manual, explicando algumas atitudes que jamais poderiam acontecer nesses lugares. Valeria para restaurantes, bancos, ônibus e até igrejas. Poderia haver até algum incentivo do governo, uma espécie de lei rouanet da educação.
Imagina um grupo de funcionários de determinada empresa, ou mesmo grupo de amigos, num restaurante. Nem é preciso bebida. Sempre haverá nesse grupo alguém que gosta de sobressair, de chamar a atenção. Não faltarão gargalhadas espalhafatosas, nem gritos e conversas explodindo decibéis.
Os que estão à volta não aprovam. Apenas lamentam tanta grosseria. E se houver mais de um grupo do tipo, o ambiente fica insuportável. Provoca estresse. O mesmo vale para igrejas. Quem vai à igreja, presume-se, é para rezar, meditar, participar de missa ou culto. Mas sempre há pessoas conversando, rindo, sendo inconvenientes.
Alguém pode questionar se isso acontece dentro de um templo religioso. Acontece, e com mais frequência do que se imagina. Pessoas que passam boa parte do tempo dentro de igrejas reparando na roupa alheia, no cabelo de outra, no sapato mal engraxado. E não só as mulheres que fazem isso – há mais fofoca entre os homens. Por sinal, concluiu-se que as fofocas de mulheres são mais maldosas.
Bancos e supermercados têm nas filas e nos estacionamentos, em determinados horários, uma verdadeira batalha pelo lugar. Vale tudo. Levar a mãe doente, quase morrendo, só para passar na frente; levar criança no colo; e há até gente que usa bengala quando vai a esses lugares para terem algum privilégio.
Ne se conta aqui o desrespeito contínuo às vagas especiais para idosos e deficientes. É um desrespeito solene e impune. Mostra bem o caráter dos que abusam do expediente. Nem dá para esquecer a selvageria nos ônibus, principalmente na hora do embarque e desembarque nos terminais – os que estão nele não conseguem sair, os que estão fora não conseguem entrar. Prevalecem os mais fortes. E mais mal educados.
O que dizer então de moçoilas que, em restaurantes, não param de mexer nos cabelos. Nos de sistema self service, em cima da comida a ser servida. Uma verdadeira chuva de caspa e piolhos. E o mexer nos cabelos continua depois, na mesa. Danem-se os que estão próximos. Um manual iria ajudar bem.
Não que seus leitores assimilassem tudo de primeira. Mas é preciso insistir, mostrar que essa selvageria dos dias atuais pode ser evitada, e que bons modos ajudam muito no relacionamento entre as pessoas. Bem entendido, entre as pessoas. Alguns animais jamais entenderão o que é isso.

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