Reclama-se a torto e a direito – e com toda a razão – que os traficantes e outros bandos menos cotados estão armados até os dentes. Reclama-se também da grande quantidade de drogas que circula em todas as cidades brasileiras, da facilidade com que elas chegam aos viciados e com a falta de punição a esses criminosos.
Para alguns “especialistas”, há inúmeras razões; para outros, é questão de educação; para outros ainda, mais benevolentes, tráfico e assalto são formas de ganhar a vida para pessoas que não têm oportunidade numa sociedade como a atual. Calma lá. Basta pensar um pouquinho para se concluir algumas coisas.
Sobre drogas: o Brasil não produz maconha e cocaína suficientes para abastecer o mercado. Tem lá sua produção meio artesanal, mas pequena diante do volume que circula por aí. O Brasil também não fabrica fuzis do tipo AR 15 ou AK 47. Tem uma fábrica de armas, a Taurus, que mal e má consegue produzir a pistola .40 entregue à PM, que vive falhando.
Drogas e armas entram no país pelas fronteiras semi-abandonadas, mal fiscalizadas, pessimamente policiadas, principalmente no trecho com o Paraguai. Preocupam-se os encarregados dessa fronteira com o contrabando miúdo, de cigarros e eletrônicos, em vez de se preocupar com o que deveriam se preocupar de verdade.
Numa das reportagens de TV mundo cão foi mostrado um vídeo, feito de dentro de uma van, passando pela fiscalização de fronteira do Paraguai para o Brasil. Os ocupantes da van comemoravam o fato de passarem incólumes com meia tonelada de maconha. Não era pouca coisa, mas passou. Ninguém foi sequer incomodado.
Na Internet circulam vídeos feitos em morros cariocas principalmente, mostrando adolescentes e até crianças atirando com armas pesadas, exibindo armamento típicos de guerra. De onde vem tudo isso? Do céu é que não cai.
A situação de hoje nada mais é do que tudo isso junto: fronteiras sem fiscalização, criminosos cada vez mais ousados e audaciosos, legislação frouxa, condescendente, que em vez de punir incentiva mais e mais a criminalidade. Pra incentivar mais ainda, na semana passada o STF (Supremo Tribunal Federal) decidiu que traficante que é preso pela primeira vez não comete crime hediondo.
E, enquanto tudo isso acontece, o povo não pode ter arma em casa, no carro ou em seu sítio. É crime andar armado. Ter arma é privilégio de bandido, de fora-da-lei. Quem trabalha precisa se conformar com sua situação de vítima, entregar tudo o que ganhou trabalhando e rezar para que o bandido não esteja inspirado para matar.
Todo mundo está cheio disso. Muito cheio. Em menos de dez anos, prevê-se, estaremos em guerra civil. Não disputando poderes políticos – disputando somente o direito de trabalhar e sobreviver.





