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quarta-feira, 21 outubro, 2026

Editorial: A feira (ilegal) que incomoda

No último fim de semana – e domingo era Dia dos Pais – instalou-se num terreno do Novo Horizonte, antigo Varjão, um arremedo da Feirinha da Madrugada. Aquela feira do Brás paulistano. Isso incomodou o comércio de toda a região, uma vez que os preços da madrugada, por não pagarem nada de imposto, ficam lá embaixo.
Isso também ajudou tirar freguesia. Muita gente preferiu comprar o presente dos pais na feirinha, que tem de tudo, de roupa a muamba variada. A Prefeitura não costuma autorizar esse tipo de comércio, mais para oportunista do que de oportunidades.
A feirinha é só uma amostra do que ambulantes estão fazendo na região, e talvez na cidade toda. Sempre nos fins de semana, quando se sabe que a fiscalização é no mínimo mais frouxa por falta de gente.
São comuns caminhões, com placas de outras cidades, oferecendo sofás, cadeiras, redes e até cofres a precinhos camaradas. Tudo sem nota fiscal e sem qualquer garantia. Escolhem lugar onde passa mais gente e sempre há otários comprando alguma coisa. Nem se questiona a procedência ou a legalidade do que é vendido. Compra-se, paga-se e adeus. Se der defeito, que reclamem com o bispo.
Vira e mexe também aparecem feiras. Ora a do bordado de Jacutinga ora a de malhas de alguma cidade serrana, tipo Monte Sião, Serra Negra ou Lindóia. Procuram clubes endividados, implorando por dinheiro, para alugar seu espaço e lá promover o mercado persa.
Isso é prejudicial para a cidade. Essa gente que monta feirinha por aqui não tem compromisso algum, não paga um centavo de imposto, não oferece qualquer tipo de garantia, e, ironia das ironias, costuma ter vendedores bem mal educados. Parecem estar fazendo o favor de vender. E se queixam que o povo gasta pouco.
Diferente das feiras de artesanato, ou de bazares beneficentes, onde a venda tem uma finalidade e normalmente são feitos por gente daqui. Mas as feirinhas da madrugada da vida prejudicam não só o comércio estabelecido, que paga impostos, dá empregos e obedece às normas na medida do possível.
A cidade só tem uma arma para combater esse tipo de coisa – não comprar nada. Deixar essas feirinhas de madrugada às moscas. Sem vendas, esses supostos feirantes irão embora, amaldiçoando Jundiaí. Mas tem resultado – não voltam mais.
Há também, estabelecidos, comerciantes que não ajudam. Exploram o que podem. Exageram nos preços, e isso afasta a freguesia que, iludida por menores preços da madrugada corre comprar. Há comerciantes arrogantes, mal preparados, que tratam a clientela como pano de chão. Basta evitá-los. Ou se amoldam à educação da maioria e mexem nos preços, ou fecham as portas.
É preciso fiscalização mais severa. É preciso apreensão de tudo o que estiver sem nota fiscal. É preciso multar. Só assim esses muambeiros esquecem de Jundiaí. Do jeito que vai, isso aqui está se tornando um mercado persa. E com mercadoria de terceira.

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