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quarta-feira, 21 outubro, 2026

Editorial: Impostos demais, formalidade de menos

Uma estimativa oficial (que pode ser mentirosa como outras) aponta que há 10 milhões de pessoas na informalidade. São pessoas que têm seus negócios sem ter empresa aberta, pessoas que trabalham sem registro em carteira, que não têm conta em banco e que, oficialmente, nem existem. Ou melhor, existem por causa do RG ou Certidão de Nascimento. E só.
O número real é bem maior. Talvez o dobro, 20 milhões, 10% da população do país. Descontando os efeitos da crise econômica, a informalidade existe porque há um governo atrapalhando a vida de todos. A burocracia é grande, as exigências são muitas, os impostos são escorchantes e muitos funcionários públicos, que em tese deveriam ajudar essas pessoas resolver seus problemas, colocam sua arrogância e prepotência na frente de tudo.
Em termos de impostos, reconheça-se, não somos campeões. O problema não é o quanto se paga, e sim o que o governo nos dá em troca. Nada. Pergunta-se então para onde vai tanto dinheiro. Simples de responder. Em salários altíssimos a deputados, senadores e outros chefetes. Em obras inúteis e superfaturadas, que acabam beneficiando os políticos, ávidos por uma propina. Em projetos lelé da cuca, tipo Copa do Mundo e Olimpíada.
Em muitos países não existe nada disso. Paga-se imposto salgado, mas tudo é de graça. Em alguns, o cidadão paga somente advogado e engenheiro. Médico, dentista, hospital, escola (até o doutorado) são de graça, incluindo livros, uniformes, transporte, alojamento. Bem diferente de nossa realidade, embora uma jararaca boquirrota tenha dito, há algum tempo, que dava gosto ficar doente e poder usar o SUS (Sistema Único de Saúde, ou Sistema Único de Safadeza).
O governo precisa de dinheiro para manter sua máquina funcionando (incluindo as mordomias). Bisca esse dinheiro onde sentir cheiro. Inventa impostos, regras, multas – tudo para punir quem trabalha. Resultado: os que trabalham e sustentam essa orgia se revoltam e passam para a informalidade. Nada de papel, tudo por debaixo dos panos. Tudo produzido num fundo de quintal e vendido sem nota fiscal.
Reclama-se que entra muito contrabando aqui. Entra mesmo. E como explicar que o produto vindo de fora custa infinitamente menos que o feito aqui? Carga de impostos. Para brecar a venda do contrabando, do CD pirata, o governo faz terrorismo. Tenta nos convencer que comprando tais produtos estamos ajudando o crime organizado. Não estamos não.
Só ajudamos o crime organizado quando pagamos nossos impostos. O crime organizado está no Congresso Nacional, na Petrobras, no BNDES, nas construtoras gigantes e nos políticos sem caráter que elegemos. Eles sim são organizados. A Operação Lava Jato descobriu que havia até planilhas de pagamento de jabá pra ninguém ser passado pra trás.
E essa debandada para a informalidade cria um círculo vicioso. De olho no dinheiro, não passa uma semana sem que alguém do governo fale em novo imposto, nova taxa, novas multas (a mais nova é a do farol aceso durante o dia, coisa que só existe aqui). Os que estão formais, documentados, legalizados, se assustam cada vez que algum jumento brasiliense abre a boca para falar em dinheiro. E aí corre para a informalidade.
Se o governo quer ser respeitado, quer ter moral para cobrar, quer que todos andem direitinho, comece por dar exemplo. Diminua os salários e mordomias dos inúteis que dizem ser nossos respresentantes. Faça uma reforma fiscal e tributária decente. Aí sim, pagaremos nossos impostos com a máxima satisfação. Do jeito que está, hasta la vista, baby!

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