As cenas estão se repetindo com frequência – futuros candidatos apregoando seus números, pedindo votos e falando abertamente de suas propostas. Se isso acontecesse somente em reuniões fechadas, particulares, até passaria. Mas estão fazendo isso publicamente, muito antes do prazo determinado pela legislação eleitoral.
Muitos reclamam que as novas regras complicaram as campanhas políticas, que são injustas. Justas ou injustas são regras e precisam ser seguidas. Ninguém obrigou ninguém a entrar no jogo. Se entrou, precisa seguir o que determina a Justiça Eleitoral. E a propaganda política só pode ser feita a partir de 16 de agosto.
As regras constam do Calendário Eleitoral elaborado pelo Tribunal Superior Eleitoral, e são do conhecimento dos partidos:16 de agosto – Data a partir da qual será permitida a propaganda eleitoral (Lei nº 9.504/1997, art. 36, caput). Data a partir da qual os candidatos, os partidos ou as coligações podem fazer funcionar, das 8 às 22 horas, alto-falantes ou amplificadores de som, nas suas sedes ou em veículos (Lei nº 9.504/1997, art. 39, § 3º).
Mas a Justiça está sendo ignorada. Está sendo escarnecida por alguns pretensos candidatos. Carro de som com locutor anunciando nome e número já pode ser visto na cidade. Out-doors com fotografia de outro também. Para eles, é como essas regras não existissem. Ou, se existem, eles estão acima, podem fazer o que querem.
A Justiça só age se provocada, acionada. Várzea Paulista deu um excelente exemplo ao multar uma penca de pretensos candidatos por propaganda antecipada. O julgamento do eleitor segue a sabedoria popular – se agora, que não são nada, já agem assim, imagina-se como agirão se estiverem eleitos, exercendo poder e tendo certas imunidades.
Outros, mais sutis, porém não menos infratores, usam e abusam em cartazes comerciais ou movimentos populares de suas fotografias. Até venda de terreno, anunciada em out-door (que já está devidamente pichado), tem fotografia de pretenso candidato. Até lista de abaixo-assinado tem fotografia de suposto candidato. Como apoiador da lista, claro.
E chega a dar nojo de certos políticos. Um deles, por exemplo, diz que será candidato a prefeito numa determinada cidade, e que vai apresentar propostas mirabolantes, inexequíveis. Conta com a ignorância de parte da população, que certamente cobrará as mesmas propostas do candidato adversário. Vai colocá-lo numa saia justa. Gente assim faz o povo desacreditar cada vez mais em políticos e em política.
Alguém precisa se mexer e denunciar essas coisas à Justiça Eleitoral. E é preciso que a Justia Eleitoral faça a limpeza agora, evitando que maus elementos corram o risco de se eleger. Erva daninha se arranca pela raiz, não pelas folhas.
O termo política, pra quem não sabe, vem do grego: politiká, uma derivação de polis, que significa o que é público. Não é essa sujeira, nem esse desespero por votos que vemos atualmente. E esse desespero leva, naturalmente, a outra situação. Uma situação que muitos dominam, são mestres – a arte de mentir.





