publicidadespot_img
25.3 C
Jundiaí
quarta-feira, 21 outubro, 2026

Editorial: A mentira no país das mentiras

Um grupo de nadadores americanos registrou queixa de assalto na semana passada, no Rio de Janeiro. Usou a desculpa mais esfarrapada para a Polícia, acostumada a maridos infiéis que registram boletins parecidos diariamente. Provou-se que os americanos caíram numa gandaia daquelas, arrumaram confusão e voltaram ao hotel inteiros.
Eles se deram mal em contar uma mentira no país das mentiras. Não são raros os casos de gente que recebe salário, gasta em boate e com a mulherada da vida torta, e depois, para justificar em casa, corre fazer boletim de ocorrência. Descrevem os assaltantes como sendo sempre de cor negra, usando gorro ou moletom. Não lembram do modelo, marca ou da placa do carro que os supostos e hipotéticos assaltantes estavam.
Outros também torram dinheiro com jogo em botecos e depois contam a mesma história. Descobriu-se que boa parte das queixas de furtos de carros também são falsas. Não passam de golpe para receber o dinheiro do seguro. O sujeito desaparece com o carro, entrega para alguém desmanchar e diz que o carro foi roubado. Ganha dinheiro vendendo pedaços do carro e da seguradora.
Já teve até caso de mulher que, entregue aos embalos da carne, perdeu hora no motel. Para o marido contou história de sequestro. O manso acreditou e até acompanhou a infiel esposa na delegacia. Sorte que seu sequestrador era bonzinho – não quis levar seu celular nem dinheiro. Foi, digamos, só um susto, coisa de sequestrador educado e civilizado. Que pelo jeito continua sequestrando a mesma vítima e levando-a para o mesmo cativeiro.
Os nadadores americanos não sabiam que tudo é assim por aqui. O funcionário que falta e alega que foi ao enterro de parente; o outro que consegue atestado simulando doenças; pessoas que conseguem falsas declarações para conseguir vantagem. E até quem faça vaquinha para tratar mãe ou parente que esteja doente. Tudo cascata.
E de onde vem tanta mentira? Da nossa cultura. Somos criados para levar vantagem, para enganar, para sermos espertos, não inteligentes. A cultura da mentira é tão grande que muitas dessas mentiras foram banalizadas, tornaram-se tão naturais e aceitas que quase se tornaram verdades.
Mente-se em público ou de maneira privada. Políticos devem ser os campeões. Pastores evangélicos – não todos, bem entendido – estão em alta. Há os que prometem a vida eterna a troco de dízimos e outras doações. Há os que vendem toalhas que foram abençoadas e que, segundo eles, ao serem passadas, em fechaduras de agências bancárias fazem desaparecer a dívida do fiel.
Outros pastores vendem água abençoada, água do Rio Jordão e até pedaços da cruz onde Cristo teria morrido. Há quem acredite e gaste dinheiro com esses engôdos. Há um ditado que merece ser relembrado: todos os dias nascem um esperto e um otário – e quando se encontram dá negócio.
Os nadadores americanos só se deram mal por tentarem ser mais mentirosos que nós. Mas nem precisam se preocupar. Todo esse forfé que a Polícia carioca está fazendo, de reter passaporte, tirar o sujeito do avião, é porque a imprensa internacional está no Rio. O resultado disso será outra mentira. Ou seja, vai dar em nada.
 

Novo Dia
Novo Diahttps://novodia.digital/novodia
O Novo Dia Notícias é um dos maiores portais de conteúdo da região de Jundiaí. Faz parte do Grupo Novo Dia.

SUGESTÃO DE PAUTAS

ÚLTIMAS NOTÍCIAS

PUBLICIDADEspot_img
publicidadespot_img
publicidadespot_img

Deixe uma resposta