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quarta-feira, 21 outubro, 2026

Editorial: Não podemos perder a área do IAC

Quando começaram a circular os primeiros rumores sobre a venda da área do Instituto Agronômico de Campinas, em novembro o ano passado, aventamos a hipótese de haver construtoras interessadas em lá construir um grande condomínio. Acertamos em cheio. A área vai mesmo ser vendida e há mais gente do que se pensava interessada em erguer prédios ao lado do aeroporto de Jundiaí.
Para essas construtoras é um negócio de pouco risco, mesmo se levando em conta as restrições a financiamentos, a falta de dinheiro e as incertezas do mercado. Os paulistanos descobriram Jundiaí, e acostumados à visão do inferno que se tornou a Capital, não resistiram à linda vista da Serra do Japi. Basta ver o número de condomínios existente na região do Medeiros e Eloy Chaves.
Parte do IAC – laboratórios de pesquisa e arquivos – já foi transferida para Campinas. Ou seja, perdemos o IAC de fato, fruto do programa maluco de economia do quebrado governo estadual. Sobrou a área, a terra, que poderia ser transformada num grande parque, integrando o que lá já existe, incluindo a Associação Mata Ciliar.
Mas isso não gera lucro, não vai remendar os buracos do cofre do Estado. Nem favorece empreiteiros amigos do poder. Algumas vozes isoladas se levantaram contra a venda da área, e só. Não há um movimento que envolva toda a cidade, que faça pressão de verdade – a política do bafo no cangote – para fazer o Estado desistir dessa aventura.
O prefeito está fazendo o possível, oferecendo outras áreas em troca da área do IAC, para que o Estado as venda e preserve o que resta da natureza na região do aeroporto. O Estado responde com silêncio.
Se a área for mesmo vendida a construtoras, antevê-se o inferno que se transformará a região. Não há estrutura para receber mais nada. A rodovia Dom Gabriel esta saturada e comprometida pelo que já existe – e nem foram entregues ainda alguns condomínios do Medeiros.
Do outro lado, há a avenida Antonio Pincinato, que embora ainda não esteja saturada, se tornou perigosa e um lugar e tanto para motoristas estressados descarregarem suas energias no acelerador e na buzina. E quem anda por ela para ir ao trabalho no Centro encontra um gargalo gigantesco, que é a marginal da Anhanguera e depois a passagem na rotatória da avenida Jundiaí.
Esse gargalo logo será extinto com a construção de novo viaduto. Mas quando o viaduto for inaugurado haverá mais carros e mais gente apressada. E que ninguém duvide que os caminhões descobrirão rapidamente a nova rota para arrebentar o asfalto e provocar tumulto no trânsito com suas cargas acima do permitido.
A área do IAC não pode ser vendida. É da cidade e com ela deve ficar. Que lá se construa um parque, que se preservem seus lagos e suas árvores. Chega de trazer para cá gente estressada e insatisfeita com a vida para morar em apartamentos com linda vista para a Serra do Japi. E quem quiser olhar para a serra que tire uma fotografia e coloque num quadrinho. Se a Capital já é um inferno, que nos deixem em paz aqui no Paraíso.

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