Se depender do Tribunal Regional Eleitoral (TRE) paulista, mesário escalado para trabalhar na próxima eleição vai precisar bancar seu almoço. Explicando melhor: o TRE destinou R$ 25 para cada mesário, mas não vai mandar o dinheiro para os cartórios eleitorais. Quem quiser o dinheiro precisa ir aos Correios, enfrentar as costumeiras filas e sacar o vale. Mas só depois do dia 7 de outubro.
A alegação do TRE é que não manda o dinheiro antes por questão de segurança. Nas eleições passadas mandou, mas também alegou que aconteceram alguns assaltos. Assaltos secretos, talvez, uma vez que não houve citações dos mesmos no noticiário da época. E que não se estranhe se o TRE pedir às prefeituras para bancar o pão com mortadela do pessoal.
É costume, e seria regra se não fosse exceção, prefeituras cederem funcionários para repartições públicas do Estado. Em todas as cidades há funcionários de prefeitura trabalhando em cartórios, em foruns e em delegacias. Ou seja, até isso o Estado empurra para as prefeituras.
Assim como empurra outras responsabilidades, como a sobre as escolas e hospitais. Talvez seja hora dos prefeitos reagirem de fato e boicotar o Estado. Como governadores são pródigos com afilhados e com filiados, principalmente em ano eleitoral, que arquem com essas despesas. Que sejam pródigos com seus funcionários todos os anos.
Questiona-se que, se todos os funcionários emprestados pelas prefeituras voltassem a seus devidos lugares, o Estado pararia. Deveria parar mesmo. Só assim apareceria sua incompetência de administrar. Enquanto houver gente socorrendo o Estado vai passar a impressão de que tudo está às mil maravilhas.
Creches e escolas de ensino fundamental são mantidas pelas prefeituras. Se depender do Estado a criançada cresce largada e analfabeta. Professores do Estado que estão em escolas municipalizadas (que são do Estado, que conseguiu empurrá-las para as prefeituras) recebem um reforço de salário das prefeituras. O Estado paga mal. Quando paga.
Também caberia ao Estado manter a Segurança Pública. Reconheça-se o esforço da Polícia Militar e da Polícia Civil para fazer seu trabalho, mas quase todas as cidades têm uma guarda municipal para auxiliar os PMs, delegados e investigadores. E em quase todas as cidades, o aluguel do prédio da delegacia ou do quartel é pago pelas prefeituras.
Os governos federal e estaduais também são omissos ao extremo. Quem trabalha nas eleições não recebe um centavo por isso. Há os voluntários, mas a maioria é convocada, sob pena de sanções caso não apareça. Chamam isso de dever cívico. Mentira. Isso é escravidão. Obrigar alguém trabalhar sem pagar pelo serviço é coisa de feitor de escravo. Mas o Estado faz isso.
No caso das eleições do dia 2 de outubro, quem estiver convocado para viver seu dia de escravo pode levar de casa o santo dinheirinho para o lanche. E pode preparar a paciência também. Em anos anteriores sempre tivemos problemas com urnas, com gente que se perde e não encontra a seção, com gente mal educada e até com candidatos mal preparados. Melhor emprestar a lancheira do filho e levar um pão com mortadela. Sai mais barato.





