TV Câmara e TV Senado são os mais caros. Apesar da ínfima audiência, Congresso mantém 1.200 funcionários na comunicação
Um levantamento feito pelo jornal Folha de São Paulo tem conclusão nada animadora: A Câmara dos Deputados e o Senado têm contratados 1.212 funcionários em seus departamentos de comunicação social, encarregados de distribuir notícias e afins. Isso custa, neste ano, R$ 103 milhões. Fora dessa conta ainda estão os demais funcionários, concursados e comissionados.
São jornalistas, produtores, editores, cinegrafistas, auxiliares, fotógrafos e técnicos. São divididos em duas castas. A primeira, dos comissionados e concursados, tem salários de R$ 14,3 mil a R$ 27,4 mil; a segunda são os terceirizados, com salários de R$ 1,3 mil a R$ 10,8 mil. Os terceirizados somam 61% do total, e a maioria está vinculada à Plansul, uma empresa cheia de problemas com a Justiça.
O Senado conta com 81 senadores, e sua secretaria de comunicação tem 662 funcionários (8 para cada senador). Eles estão na TV Senado, Rádio Senado, Jornal do Senado (que é impresso) e Portal do Senado, além de outros puxadinhos, como canais de relacionamento com o público e setor de relações públicas.
A Câmara (513 deputados federais) tem 550 funcionários espalhados na TV Câmara, Rádio Câmara, Portal da Câmara e também outros apêndices. 88 funcionários exercendo a função de jornalista.
Apesar dos números do quadro, a programação inclui pessoas de fora. O Senado, por exemplo, pagou mais de R$ 95 mil à escritora Margarida de Aguiar Patriota pela produção e apresentação na Rádio Senado do programa Autores e Livros.
Só para comparar: o jornal norte-americano The New York Times, um dos mais prestigiados do mundo, tem 1.300 pessoas em toda sua operação jornalística. A TV Globo, que pertence ao maior grupo de comunicação do Brasil, diz ter 700 em equipes de jornalismo em 123 emissoras pelo país.
A Globo aparece em primeiro no ranking dos canais de TV aberta e paga com maior audiência, conforme aferido pela Kantar Ibope Media em abril de 2016 –16,3 pontos (cada ponto representa 240 mil domicílios nas 15 principais regiões metropolitanas).
Apesar de o mês ter sido o da autorização pelos deputados da abertura do processo de impeachment contra Dilma Rousseff, a TV Câmara ficou na posição 49 do ranking (0,07 ponto). A TV Senado, na 57a posição (0,05 ponto). Resumindo: ninguém vê.





