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segunda-feira, 19 outubro, 2026

Editorial: Do jeito que está não pode continuar

A campanha eleitoral está chegando ao fim. Embora seja enfadonho ouvir alguns candidatos, é nela que estão informações importantes, que orientam o eleitor e que podem significar o voto ou a rejeição. Rádio e TV são os veículos mais visados pelos políticos, embora a TV tenha eficiência duvidosa. A eficiência do rádio não se discute.
Pois bem. Passamos as últimas semanas vendo a propaganda eleitoral de Sorocaba, transmitida pela TV Tem. Chega a confundir o eleitor – há gente dizendo que vai votar no candidato Crespo. De Jundiaí, somente a TV Câmara, cujo sinal é aberto, colocou no ar o horário eleitoral.
Alguma coisa está errada, embora o problema seja de legislação. E então, pra que servem as emissoras locais? A TV Tem, todos sabem, dedica quase que a totalidade de seu noticiário para Sorocaba e cidades próximas. De Jundiaí pouco se fala, e quando isso acontece, só coisa ruim.
Mesmo assim, o ávido departamento comercial da TV Tem não sai de Jundiaí, buscando anunciantes, levando o dinheiro para Sorocaba. Em troca, nada oferece. Uma ou outra promoção. Do resto, noticia ruim.
As demais emissoras pouco ou quase nada dedicam ao jornalismo em si. Têm lá sua programação. Se agrada ou não é outra história, que não é problema de ninguém, a não ser de quem patrocina os programas. Se dão audiência, outra história ainda.
Alguém precisa encontrar um jeito de colocar essas coisas de outro modo. Poderiam as emissoras proporcionar aos jundiaienses um pouco mais de informação sobre candidatos e suas propostas, sejam elas viáveis, factíveis ou ridículas.
Pelo jeito ninguém tem interesse. Parte dos políticos, por não terem o que falar ou mostrar. A Net, que controla a TV a cabo em Jundiaí, parece não ter interesse também. Abriga alguns canais por obrigação de lei e empurra o resto do lixo para seus assinantes.
Os canais, em sua maioria, vendem parte do horário e usufruem do lucro. Quem compra o horário se vira com a produção do programa – alguns mais fúteis que a própria futilidade – vende publicidade e entrega tudo editado.
O tempo para se mudar a situação é longo. Depois dessa, outra eleição para prefeito e vereadores só daqui a quatro anos – os que podem fazer essa mudança têm 1.200 dias para pensar e encontrar uma solução.
Caso contrário, seremos mais sorocabanos que jundiaienses. Engoliremos novos crespos e lipis. Saberemos de todos os problemas do Éden, do Cajuru e do Chapolim. E, pensando bem, nem dá pra afirmar que vai valer a pena. Só para constar: o debate entre os dois presidenciáveis norte-americanos, Donald Trump e Hilary Clinton, no começo da semana, deu mais audiência que muitos debates locais. E olha, esse Trump é um trator.

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