publicidadespot_img
21 C
Jundiaí
domingo, 18 outubro, 2026

Editorial: Crianças, ora crianças…

A cena é bonita de se ver – a família toda saindo, passeando e frequentando restaurantes. Mas só de se ver. Nos últimos tempos, muita gente passou a reclamar da presença de alguns tipos de crianças em restaurantes, principalmente à noite – quando elas deveriam estar dormindo. É uma questão delicada.
O problema, mais uma vez, não é das crianças, e sim de pais que não as educam, e que tudo permitem. Pais que acham o máximo ver os pimpolhos correndo e gritando entre as mesas e fazendo todo tipo de travessura possível. Pais que não se incomodam de ver outros clientes incomodados com o barulho e com a latente falta de educação.
Alguns restaurantes, para atrair essa clientela (famílias que saem com crianças) criaram espaços, aos quais deram o nome de brinquedoteca. Algumas são eficientes – mantêm a criançada à distância, sem qualquer possibilidade de interferir no sossego alheio. Nem os gritos chegam aos salões.
Outros pensaram em resolver esse problema, criando também brinquedotecas. Criaram um desastre. Bem ao lado de mesas, concentram a falta de educação num ponto, afetando diretamente quem ocupa essas mesas – pais costumam ficar longe desse barulho. E desse ponto se irradia por todo o restaurante.
Mais trágico é ver casais levando filhos pequenos a choperias e adegas. Há algum tempo, clubes que promoviam festas com consumo de bebida alcoólica não permitiam entrada de menores de idade justamente para não ter problemas. O Estatuto da Criança e do Adolescente tem muitas ressalvas para a relação de crianças com o álcool.
O bom senso e o juízo que deveriam ser usados por algumas famílias têm mais ressalvas ainda. Ninguém é obrigado, numa noite de sábado, suportar estripolias dos filhos dos outros. Mas, repita-se, a culpa dessa falta de educação é de casa.
Lembram os mais velhos que quando crianças, antes de sair, ouviam a preleção dos pais: se comportar, não gritar, não correr, não incomodar, pedir licença, dizer obrigado e outras. Depois da preleção, o discurso que funcionava – castigo se não se comportasse.
Hoje a história é outra. Muitos pais incitam a violência dentro de casa. Conversam aos berros, discutem, se ofendem – e tudo na frente dos filhos pequenos, que absorvem esse comportamento. Muitos nunca explicaram para os filhos o que é um mínimo de educação – acreditam piamente que isso é problema de professores. Não é. Educação vem de berço.
Esperar que isso mude é quase uma utopia. O que esperar de crianças que diariamente ouvem ofensas mútuas de seus pais? O que esperar de um pai que passa o domingo refestelado num sofá, se enchendo de cerveja e concentrado no jogo de futebol que está na TV? O que esperar de uma mãe que está mais preocupada com o amante do que com os filhos?
Alguns restaurantes já sentiram que a clientela mais exigente, de gosto e modos mais apurados, já desapareceu. Trataram de desmontar suas brinquedotecas (também conhecidas como infernotecas) para trazer de volta essa clientela mais exigente. Ou, para muitos pais de crianças endiabradas, trazer de volta os chatos.
Adotar uma postura crítica quanto a esse comportamento não significa proibir crianças de sairem com seus pais, nem de frequentarem restaurantes e lanchonetes. Basta estarem amestradas para conviver num ambiente que pede, no mínimo, um pouco de educação. Correr, gritar, brincar podem ser sinônimos de vitalidade e disposição. Mas ninguém é obrigado a suportar essa tortura.

Novo Dia
Novo Diahttps://novodia.digital/novodia
O Novo Dia Notícias é um dos maiores portais de conteúdo da região de Jundiaí. Faz parte do Grupo Novo Dia.

SUGESTÃO DE PAUTAS

ÚLTIMAS NOTÍCIAS

PUBLICIDADEspot_img
publicidadespot_img
publicidadespot_img

Deixe uma resposta