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segunda-feira, 19 outubro, 2026

Editorial: O dia da faxina

Há um antigo ditado que prega: Quem quer, faz; quem não quer, manda fazer. Dia de faxina é mais ou menos assim para a maioria das pessoas. E tornam-se mais que evidentes as diferenças entre a faxina feita pela dona de casa e a feita pela faxineira – e isso na maior parte dos casos. Há excelentes faxineiras, ou diaristas, mas são como agulha no palheiro.
A dona de casa vai aos detalhes. Quer tudo bem limpo e arrumado. Arrasta móveis, bate tapetes (quando não os troca), examina os cantos e procura deixar tudo ao seu gosto. Aproveita e lava as cortinas, troca roupa de cama – faz tudo até que a casa esteja de seu gosto.
A maioria de diaristas ou faxineiras faz as coisas de outra maneira. Procura ser rápida, para ganhar tempo – há as que fazem até duas faxinas por dia. Nâo se preocupa com os detalhes, dificilmente arrasta móveis, e trocar roupa de cama ou colocar cortinas para lavar, só se for mandada. E bem mandada.
A faxina da dona de casa deixa o ambiente limpo, agradável. A da diarista costuma ficar quase que perfumado, impregnado pelo cheiro dos produtos de limpeza – aliás, o que algumas gastam de produtos de limpeza é caso para ser estudado. Acredita que com aquele cheiro de limpeza no ar tudo esteja limpo. Não está. Só está cheirando limpeza. Limpo ficaram as áreas mais expostas, o chamado “caminho do padre”.
E por que essa diferença? Simples. A dona de casa está limpando o que é seu. A dona de casa conhece cada centímetro do lugar onde vive e onde vive também sua família. A dona de casa preserva, porque um dia aquela casa será de seus filhos. Já a faxineira não tem esse compromisso. Tanto faz como tanto fez. E se não estiver contente, que arrume outra.
Assim também é uma cidade. Imagine-se que, de quatro em quatro anos, tenhamos de escolher alguém para essa faxina. O que seria melhor? Escolher alguém que seja dessa cidade, que a conhece, que sabe que ela ficará para seus filhos, ou escolher alguém de fora, sem qualquer compromisso?
A comparação pode ser estranha, mas é bem assim. Somente quem vive aqui sabe onde está a sujeira a ser removida. Mas não quem chegou outro dia. Quem nasceu aqui, conhece mais ainda a cidade, melhor dos que aqueles que a conhecem por mapas e fotografias.
O mesmo cuidado que se tem com a casa, com a família, é preciso com a cidade. É preciso lembrar que é nela que filhos e netos crescerão. É preciso lembrar que eles precisarão de escolas, de transporte público com qualidade, de unidades de saúde e hospitais – e será que alguém sem qualquer compromisso com a cidade vai proporcionar isso? Ou vai apenas usar essa cidade para engordar sua carreira?
O mundo de hoje não está para riscos. Ou se escolhe direito ou se paga pelo erro. Não há – e nem dá – mais para esconder a sujeira debaixo do tapete. Na hora de cuidar da casa, melhor colocar alguém que conheça bem essa casa. O mesmo vale para a cidade.

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